Sequestro, tortura e morte: MPF denuncia três índios da etnia Enawenê-Nawê

Segundo a denúncia, duas pessoas foram assassinadas porque furaram um bloqueio para cobrança de pedágio

(Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

O Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF) apresentou denúncia contra três indígenas da etnia Enawenê-Nawê. Eles são acusados de manter três pessoas em cárcere privado e de torturar e matar duas delas.

Crime aconteceu em dezembro de 2015, na aldeia Halaytakwa, próximo de Juína (cerca de 730 quilômetros de Cuiabá). A motivação foi o rompimento de um bloqueio montado na BR-174 pelos índios para cobrança de pedágio.

Os nomes, tanto das vítimas quanto dos acusados não serão divulgados, já que o processo tramita sob sigilo judicial.

De acordo com a denúncia, duas das vítimas estavam em uma caminhonete Ford trafegando pela BR-174, seguindo para Rondônia, quando romperam o bloqueio dos índios. Elas acabaram perseguidas e capturadas em um outro ponto da estrada, onde havia mais um “posto” de pedágio.

O grupo de índios resolveu levar as duas vítimas para a aldeia Halaytakwa. No caminho, acabaram cruzando com a terceira vítima, um servidor da Funai.

Ao ver as duas pessoas amarradas na carroceria da caminhonete, o servidor tentou dissuadir os indígenas, mas também acabou forçado a acompanhá-los, em seu próprio carro, até a aldeia.

No local, de acordo com o relatado na denúncia do MPF, aproximadamente 100 índios levaram as vítimas para um prédio, as amarraram e torturaram. Elas foram apedrejadas, atacadas com borduna e queimadas com madeira incandescente.

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Nesse momento, o servidor conseguiu avisar seu superior sobre o que estava acontecendo. A negociação para a liberação durou cerca de 40 minutos.

Por fim, foi decidido que as vítimas seriam levadas para a delegacia de Polícia Civil em Juína, cada uma em uma caminhonete, acompanhada por indígenas.

O servidor também seguiu em uma das caminhonetes. No trajeto até a cidade, entretanto, os indígenas pararam os veículos e executaram os dois homens, liberando o servidor da Funai sob ameaças de morte.

Para o MPF, trata-se de um duplo homicídio qualificado.

“O modo como realizado, com a estratégia e a incitação de toda a comunidade indígena, sem dizer da oferta pelo ofendido (…) para possibilitar a entrega dos demais ofendidos mortos à Polícia de Juína, revelam a intensa e grave culpabilidade dos denunciados”, diz trecho da denúncia.

“Além disso, como consequência do crime, vê-se o abalo realizado na sociedade, bem como, no caso do sequestro do servidor público federal (…), o seu relato das graves consequências psicológicas”, consta em outro trecho.

Se a denúncia do MPF for acatada, os acusados devem ser julgados pelo Tribunal do Juri.

(Com assessoria)

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