Sem vacina, economia seguirá ameaçada e vulnerável, avalia Paulo Guedes

“Temos fôlego para seguir até o fim do ano, daí para frente é um ponto de interrogação”, afirmou o ministro

Ministro da Economia, Paulo Guedes avaliou que os efeitos econômicos da covid-19 perderam força no país, mas a recuperação ampla ocorrerá mais tarde. “Só estaremos livres quando a vacina surgir, enquanto isso continuaremos vulneráveis e ameaçados”.

Guedes participou na quinta-feira (29) de videoconferência na comissão mista criada pelo Congresso Nacional ao reconhecer estado de calamidade pública na pandemia.

Segundo ele, os dados indicam uma retomada em “V”, ou seja, após uma queda abrupta, a atividade avançou acima do que seria esperado. “Perdemos vagas. Abril foi realmente o fundo do poço, mas depois criamos rápido”, disse, citando saldos de emprego formal.

Reformas

Questionado sobre a eventual manutenção de medidas emergenciais em uma “segunda onda” da covid-19, o ministro aproveitou para cobrar apoio do Congresso às reformas.

“Temos fôlego para seguir até o fim do ano, daí para frente é um ponto de interrogação”, afirmou Guedes.

“Se não trabalharmos as reformas, teremos de novo um enorme desafio, e não podemos usar desculpas para estender tudo como se não houvesse amanhã”, disse.

Atuação do Congresso

O ministro da Economia destacou como sucesso, entre as ações na pandemia, o auxílio emergencial de R$ 600 (depois R$ 300) para pessoas em situação de vulnerabilidade e o benefício emergencial dado a trabalhadores em troca da redução de salário e jornada.

Para o futuro, Paulo Guedes defendeu mudanças para “desobrigar, desonerar e desindexar” o Orçamento. Segundo ele, desde a campanha o presidente Jair Bolsonaro recomenda “dinheiro na ponta, onde o povo está” – daí a necessidade de políticas públicas descentralizadas.

Nesse contexto, o ministro pediu a aprovação das mudanças no pacto federativo e nas despesas obrigatórias do setor público – eventualmente unificadas na chamada PEC Emergencial.

Ao Senado, ele recomendou a aprovação da autonomia do Banco Central (PLP 19/19), incluída na pauta do Plenário, e das mudanças na Lei de Falências (PL 6229/05) e no marco regulatório do gás natural (PL 6407/13), já enviadas pela Câmara dos Deputados.

Guedes ainda repetiu no debate que é favorável à desoneração da folha de pagamentos no âmbito da reforma tributária. Já o senador Esperidião Amin (PP-SC) reiterou que o Congresso derrubará veto à desoneração que beneficia apenas 17 setores da economia.

(Com Agência Câmara de Notícias)

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