Sem fluxo para pagar os de 2020, bares e lojas em shopping querem novos empréstimos

Quase um ano após tomar empréstimos para segurar o início da crise, segmento afirma que situação econômica não melhorou

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Bares, restaurantes, lojas de shopping centers e estabelecimentos de eventos em Mato Grosso querem renegociar os empréstimos tomados em 2020 para se desafogar das dívidas que restaram após o lockdown da primeira onda da pandemia. Pedem também a abertura de novas linhas de crédito. 

Empresários afirmam que as parcelas devidas ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste (FCO) e à Agência de Fomento de Mato Grosso (Desenvolve MT) começam a vencer em abril, mas ainda não existe reserva de caixa para quitação. 

“Esses estabelecimentos não se recuperaram do fechamento por causa da pandemia e o comportamento do consumidor mudou. Há shopping center em Cuiabá com mais de 60% das lojas fechadas por causa da queda de movimento”, disse o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau. 

E não é só isso. Agora, esses segmentos estão no foco do novo decreto do governo de Mato Grosso, que limitou as atividades até às 19h desde a semana passada.

No caso dos bares e de alguns restaurantes, a redução do horário de funcionamento cortou por completo o fluxo de clientes. O horário previsto para baixar as portas é extremamente próximo àquele em que as atividades do dia seriam iniciadas. 

Por outro lado, alguns passaram a ser vistos pelos gestores públicos como o principal foco de transmissão do novo coronavírus, dada as aglomerações de pessoas. 

Entidades representativas do setor defendem que a situação não pode ser generalizada ou resolvida via decreto. O efeito colateral disso seria provocar falências. 

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“A recuperação ocorre de a médio a longo prazo, não de um dia para outro. A pandemia precisa passar e daqui três, quatro anos vão ter se superado a crise atual”, disse José Wenceslau. 

O empresário afirma que bares, restaurantes e lojas de shopping centers estão no oposto do crescimento registrado no agronegócio, construção civil, supermercados e imobiliárias em Mato Grosso. O motivo seria a relação mais direta com os clientes e a necessidade deles dentro dos  estabelecimentos para consumo. 

“O comércio, incluindo essas áreas, são responsáveis por 54% da mão de obra de Cuiabá e por 63% da arrecadação do ICMS em Mato Grosso. É um setor grande que está morrendo, sem a assistência necessária”, pontuou. 

Novos e velhos créditos 

No fim do primeiro semestre de 2020, a Desenvolve MT abriu novas linhas de crédito para socorrer micro e pequenos empresários afetados pela paralisação das atividades econômicas. Os acordos mais volumosos ocorreram na linha de crédito de R$ 20 mil e R$ 50 mil, com prazos longos para quitação. 

(Foto: Assessoria)

Quase um ano depois, a situação financeira pouco melhorou. Em reunião realizada nessa terça-feira (9) com deputados estaduais e o senador Wellington Fagundes (PR-MT), as entidades empresariais pediram dilatação do prazo dos acordos antigos e a abertura de novas linhas. 

O governo federal também abriu negociações para socorrer empresários com crédito a médio e longo prazo. Paralelamente, houve liberação do FCO do Pronamp, financiamento negociado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). 

“A situação vivenciada por diversos segmentos é bastante delicada, precisamos de melhores condições para pagar dívidas e de novos linhas de crédito para impedir que novas empresas morram. Mas isso precisa ocorrer de maneira rápida”, disse o presidente da Fecomércio. 

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