17 de abril de 2026 17:07
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Selma diz que Faleiros é “leniente, garantista e absolve fácil”

Foto de Gabriela Galvão
Gabriela Galvão

Responsável pela prisão de “figurões” da política mato-grossense, a juíza aposentada Selma Arruda (PSL) disse que Marcos Faleiros, um de seus substitutos e com quem chegou a ladear a atuação na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, tem um perfil bem diferente do seu. “O Faleiros é mais leniente, garantista, absolve fácil”, declarou em visita ao LIVRE.

Selma Arruda, que é pré-candidata ao Senado por Mato Grosso, ficou conhecida pelas prisões do ex-governador Silval Barbosa e do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, além de secretários de Estado e empresários, durante os cerca de 5 anos que atuou na Vara. Ao se aposentar da magistratura, foi substituída por Faleiros e Jorge Luiz Tadeu Rodrigues.

Embora considere Faleiros muito diferente de si, Selma ressaltou que ele é uma pessoa trabalhadora e que o respeita. Quanto a Jorge Tadeu, lembrou que trabalharam juntos em outras oportunidades e elencou qualidades. “Ele é mais antigo que eu, está à beira do desembargo, é uma pessoa muito responsável, espírita, decente, temente a deus”.

Na oportunidade, a juíza aposentada também defendeu o recebimento de auxílios por parte dos magistrados, tais como alimentação e moradia, especialmente pelo fato de considerar que os salários da magistratura estão muito abaixo do que deveriam.

“E não adianta dizer: mas professor ganha R$ 1,5 mil. Então aumenta o salário do professor também, não vamos nivelar por baixo. Toda carreira de responsabilidade, de Estado, que você remunera mal, você está chamando para corrupção. Uma ideia seria pagar um salário base e o resto por produção, vai todo mundo trabalhar muito bem e ninguém vai ter comportamento de servidor que bate cartão e vai embora. Seria como é na iniciativa privada, mas as pessoas são doutrinadas a ficar contra quem ganha mal”, argumentou.

Magistrada aposentada e pré-candidata em uma campanha eleitoral, Selma também comentou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reduziu o foro privilegiado para políticos. Para ela, somente os presidentes do STF, da República e do Congresso deveriam ter prerrogativa de função e apenas para crimes de responsabilidade.

“Crimes comuns, nem eles devem ter foro privilegiado. Isso é basilar para ter democracia decente. O Congresso precisa votar um projeto que regulamente essa questão no código do processo penal, se necessário que mexa na constituição para isso”, argumentou.

Como exemplo negativo da existência do foro, a juíza aposentada citou o caso do ex-conselheiro Humberto Bosaipo. “Quando ele perdeu o foro, eu recebi cerca de 70 processos dele e tive que dar sentença de prescrição em 40. Esses processos estavam paradinhos, dormitando no Superior Tribunal de Justiça. A quantos crimes ele deixou de responder?”, questionou por fim.

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