Segunda sangrenta em Cuiabá: dia resultou em PM ferido, bandido morto, quatro presos e muitos tiros

Foto: PMMT

Tudo começou às 5h30 da manhã dessa segunda-feira (25), quando a Rotam recebeu a informação de que os mesmos criminosos envolvidos na explosão de um caixa eletrônico em um mercado em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá), no domingo (24), iriam realizar um roubo a um garimpo na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá.

Eles não imaginavam, mas a ação desse dia acabaria somente no fim da tarde, com um sub-tenente da Polícia Militar baleado, um dos bandidos morto, alguns deles com pedaços das mãos faltando, quatro presos, algumas emboscadas e centenas de tiros, inclusive de armas pesadas como fuzil, trocados.

Roubo no domingo

Os bandidos invadiram o Supermercado Bom Gosto, na Rodovia dos Imigrantes, no Bairro Jardim Eldorado, em Várzea Grande, por volta das 2h40, fortemente armados. No local há um caixa eletrônico.

Uma equipe da Polícia Militar voltava de uma ocorrência quando ouviu no rádio que estava ocorrendo tiros na área do 4º Batalhão da PM. Eram os ladrões trocando tiros com o vigia do mercado.

Ao se aproximarem do mercado, os policiais já foram recebidos a tiros e revidaram para tenta impedir os bandidos de continuarem o roubo. A viatura ficou com marcas dos disparos, chegando a ter o vidro da porta traseira esquerda quebrado.

Os militares acionaram apoio e todas as viaturas do 4º BPM, a Força Tática, a Rotam, a Polícia Ambiental e o Bope foram para o local, mas os ladrões conseguiram fugir.

O mercado ficou destruído. Foram encontradas cápsulas de calibre 7.62, 5.56 e 9mm, além de uma emulsão explosiva ainda não detonada no caixa eletrônico, que precisou ser retirada pelos explosivistas do Bope.

Um Jeep Renegade de cor preta foi visto dando apoio aos criminosos. Na segunda-feira de manhã, por volta das 8h40, o carro foi encontrado e apreendido no Bairro Maria Isabel, em Várzea Grande. Ele havia sido roubado em Cuiabá no dia 27 de março.

Foto: PMMT

Informação e emboscada

No fim da madrugada dessa segunda-feira (25), a Rotam recebeu a informação de que a mesma quadrilha do roubo do mercado iria realizar um roubo a um garimpo na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá. Seriam sete ladrões, em dois carros, armados com fuzis e explosivos.

Eles acionaram o Bope para auxiliar na ocorrência e, juntas, as equipes foram para a região. O Bope ficou nas proximidades da primeira ponte após a ponte de ferro do Coxipó do Ouro, enquanto a equipe da Rotam Comando, por volta das 6 horas, foi para a região da Estrada do Morro de São Gerônimo.

A intenção era encontrar indícios de que os ladrões estivessem na região, mas nada foi encontrado e a equipe resolveu voltar para Cuiabá.

No caminho, porém, um Fiat Strada cruzou pela equipe, parou a uma distância de mais ou menos 150 metros e, em seguida, uma Hilux branca cruzou pela frente da Rotam.

Vário homens saíram dos carros armados com fuzis e vestidos com coletes balísticos e começaram a atirar nos policiais.

Os militares reagiram atirando e os suspeitos da Hilux, assim que alvejados, fugiram rumo a Cuiabá. Os da Strada, no entanto, estavam atrás da viatura e seguiam atirando, realizando uma emboscada.

Os policiais passaram a atirar neles. Um foi atingido fora do carro e correu para dentro do veículo. Outro fugiu para o mato enquanto atirava com um fuzil nos policiais.

A equipe da Rotam Comando aguardou a aproximação da equipe do Bope para poder se aproximar do Fiat Strada e do bandido que estava baleado dentro do carro. Eles temiam que o comparsa que estava na mata ainda atirasse, ou que o próprio baleado ainda conseguisse reagir.

Quando se aproximaram, o bandido ainda estava com uma arma na mão e, segundo a equipe, tentou apontar para os policiais. Um 3º sargento do Bope e a equipe da Rotam atirou nele para cessar a reação e ele soltou a arma, uma pistola com identificação da Polícia Judiciária Civil.

Homem morto

O homem morto foi identificado como Mayk Sanchez Sabino, 32 anos, e possuía várias passagens criminais, como a de roubo a banco.

Ao redor dele foram encontrados diversos carregadores municiados com munições de 556 e espoletas com estopins utilizadas para explosões de emulsões.

Foto: PMMT

Policial ferido

Enquanto a equipe Rotam Comando trocava tiros com os suspeitos da Fiat Strada, os que estavam na Hilux branca fugiam e encontraram a equipe Rotam 90.

Houve mais uma troca de tiros e, nesse confronto, o subtenente da Rotam Altamiro Lopes da Silva foi atingido nas pernas.

Ele foi socorrido imediatamente ao Hospital Municipal de Cuiabá, visto que a bala ficou alojada em seu corpo.

Apesar do susto, o policial foi atendimento e passa bem.

Subtenente Altamiro no hospital recebendo atendimento (Foto: divulgação)

Interceptação do Bope

Ainda tentando fugir, os bandidos da Hilux foram interceptados por uma equipe do Bope. Eles estavam armados com fuzis e trocaram tiros com os policiais.

Mais para frente, eles abandonaram o veículo em uma região de mata e fugiram a pé. Militares do Bope os rastrearam, mas só encontraram um carregador de pistola Glock, uma placa balística e uma gandola camuflada do Exército Brasileiro, mas ninguém foi preso nesse momento.

Os policiais, então, retornaram ao veículo abandonado e aguardaram a chegada de mais equipes.

Materiais apreendidos

Na Fiat Strada foram encontrados diversos carregadores de pistolas, um rádio-comunicador que copiava a frequência da polícia e um de ondas curtas para comunicação entre a própria quadrilha.

Ao redor do veículo havia diversos carregadores de fuzil e espoletas e estopins utilizados em explosões e emulsões, que foram recolhidos por um explosivista do Bope.

Na Hilux abandonada havia diversos “miguelitos”, artefatos utilizados contra veículos com o intuito de provocar danos a pneus, um galão de diesel, para que eles não precisassem parar para abastecer, e partes de dedos e mãos dos criminosos.

Dentro do carro havia um aparelho GPS, um rádio de longo alcance que copiava a frequência da PM e mais fragmentos de ossos e sangue. Os dois carros eram roubados.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o Instituto Médico Legal (IML) e a Polícia Judiciária Militar (PJM) foram acionados e estiveram no local.

A Corregedoria da Polícia Militar também foi informada sobre todo o ocorrido.

Prisão pela GCCO

No fim da tarde da segunda-feira (25), a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que já vinha investigando a quadrilha devido ao roubo do domingo (24), e um outro praticado em um caixa em uma drogaria em Cuiabá no dia 16 deste mês, prendeu quatro membros da quadrilha, inclusive o que havia perdido parte da mão no confronto, em uma casa no Bairro Barbado, em Cuiabá.

Segundo a delegada Juliana Chiquito Palhares, adjunta da GCCO, a Gerência trocou informações sobre a ação da Rotam o dia todo e, com isso, juntando às investigações que vinha fazendo, chegou a um dos integrantes da quadrilha, que os policiais civis sabiam onde costumava se abrigar após as ações criminosas.

“Como a Gerência já cumpriu outros mandados nessa residência, quando tivemos essas informações a GCCO fez uma ação nessa residência, onde eles foram encontrados, juntamente com o armamento”, contou a delegada em uma coletiva na manhã desta terça-feira (26).

Na casa, além dos quatro presos, foram encontradas quatro armas de fogo 9 mm, de uso permitido, uma delas pertencente à Polícia Rodoviária Federal, uma pistola Glock.

Além disso, também foi localizada uma maleta bloqueadora de sinais, comumente utilizada em furtos a bancos, porque bloqueia sinais de comunicação das empresas de segurança, os alarmes e as câmeras.

A quadrilha vinha sendo investigada devido ao fato de que nessas duas ações foram usados armamentos pesados e foi realizada grande quantidade de disparos, assim como no confronto com a Rotam durante o dia.

“Nós temos fortes indícios de que se trata de uma organização criminosa voltada especificamente a esse tipo de crime [roubo a caixas eletrônicos] e com utilização de explosivos e armamentos de grosso calibre”, disse a delegada.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

A GCCO acredita que a quadrilha tenha mais integrantes e, segundo Juliana Chiquito (foto acima), inclusive já tem alguns suspeitos, que, agora, trabalha para prendê-los. A Gerência também apura a possibilidade de a quadrilha fazer parte da facção criminosa Comando Vermelho.

Os detidos não confirmaram que a ideia inicial na manhã dessa segunda-feira era o roubo a um garimpo, mas a Polícia Civil acredita nessa possibilidade, porque nenhuma das duas tentativas de roubos anteriores deram certo e a quadrilha não havia conseguido nenhum dinheiro.

Todos teriam histórico de roubo a banco e foram autuados por integrar organização criminosa e posse de armas de fogo e munições de uso permitido. Eles ainda responderão por todas as ações contra os policiais militares nessa segunda-feira (25).

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