Secretário ataca estratégia do governo e chama ação contra covid-19 de “genocida”

Luiz Antônio Pôssas afirma que o governo superdimensiona capacidade do Hospital Metropolitano para "esconder política confusa" de combate ao novo coronavírus

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O planejamento do governo na saúde para atendimento na pandemia virou focou de conflito político entre o governo e a Prefeitura de Cuiabá. O motivo seria os gastos da Capital com essa demanda e a suposta falta de apoio do estado. 

Em artigo divulgado nesta segunda-feira (1º), o secretário de saúde do município, Luiz Antônio Pôssas, ataca a estratégia do governo de concentrar a rede de atendimento na Grande Cuiabá e o acusa de manobra na saúde com “superdimensionamento” do Hospital Metropolitano, em Várzea Grande. 

“O Metropolitano está longe de resolver esse problema [de atendimentos do interior]. E o governador age como se estivesse fazendo um grande favor, quando não consegue evitar o básico: que moradores de outros municípios continuem buscando em Cuiabá o atendimento que não recebem em suas cidades – por conta do coronavírus ou não”, disse. 

O Hospital Metropolitano foi reinaugurado pelo governo há alguns dias após meses de reforma para ampliação de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que fazem parte da rede estadual de para pacientes graves infectados pelo novo coronavírus. 

Rede em fragmentação

Em abril, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) anunciou que a rede de atendimento seria construída em acordo com as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande que seriam as responsáveis pela administração dos serviços em Mato Grosso. 

A rede seria completada no interior pelos sete hospitais regionais.  

No artigo divulgado hoje, o secretário Luiz Antônio Pôssas indica que o acordo feito entre estado e municípios foi que a Santa Casa, em Cuiabá, o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande e os hospitais regionais ficaram responsáveis, principalmente, pelo atendimento à covid-19. Todos são administrados pelo estado. 

Cuiabá teria ficado com a tarefa de atender pacientes de contágio e outras doenças do próprio município e do interior. 

“O mensageiro da hora, Gilberto Figueiredo [secretário de saúde] conhece bem todas as explicações técnicas sobre a condução sobre o combate ao novo coronavírus no âmbito municipal. Só faz de conta que não para desgastar o trabalho sério da prefeitura”, disse Pôssas. 

O conflito entre os executivos vem a público na semana passada com a informação de que a Prefeitura de Cuiabá reduziria em 40 leitos de UTI a rede contingente para atender pacientes da covid-19. 

O anúncio causou reação do governo de Mato Grosso, que deu entrada de processo na Procuradoria Geral da União com pedido de explicação sobre R$ 41 milhões enviados pelo Ministério da Saúde a Cuiabá para aplicação no combate ao novo coronavírus. 

Isolamento

Em seu artigo, o secretário Antônio Pôssas reforçou a fala do prefeito Emanuel Pinheiro de “criação de factoide” e chamou de “política genocida” o trabalho do governo para controle da pandemia. 

O ataque foi feito à decisão do governo de flexibilizar o isolamento social no fim abril, com autorização de reabertura do comércio. Segundo Pôssas, esse fato, do qual o governo teria recuado mais tarde, estaria sendo encoberto pela cobrança sobre os R$ 41 milhões. 

“Estão usando a máquina do estado para criar factóide eleitoral e encobrir a condução confusa, oportunista e, em última análise, genocida na área da saúde. Perdido, [o governador Mauro Mendes] primeiro quis liberar geral os empresários; aí viu que pegou mal e recuou. Agora, resolveu ocultar sua falta de planejamento superdimensionando o papel do Hospital Metropolitano”, afirmou. 

O LIVRE procurou a SES para se manifestar sobre o artigo, mas não houve retorno até o momento. 

Questão política 

Os contornos políticos do conflito vêm da aproximação do calendário eleitoral deste ano. Apesar do problema da pandemia, a programação para eleição em outubro está mantida até o momento. 

Antes da pandemia, o prefeito Emanuel Pinheiro estava na situação oficial indefinida de concorrer ou não à reeleição. Contudo, já havia anunciado que considerava nomes para representar sua gestão. 

A disputa, com conflito entre Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro, voltou a aparecer no artigo do secretário Luiz Antônio Pôssas. Ele menciona a transferência de Gilberto Figueiredo para o DEM, partido o governador, e a movimentação política do grupo em direção a outubro. 

Gilberto está na lista dos nomes mais elegíveis de Mauro Mendes. 

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