Sanidade financeira: você sabe a diferença entre o que realmente precisa e o mero consumismo?

O LIVRE resolveu testar na própria pele e tentar facilitar o processo para você

(Pixabay)

Coach é como caviar. Ouvimos muito falar, mas nem todos conseguem ter acesso a esta “iguaria” que, muitas vezes, promete o caminho do melhor dos sabores: a vitória.

Mas, afinal, será que funciona?

O LIVRE resolveu surfar na onda com a coach financeira Camila Rossi, que entre a aplicação de ferramentas e orientações, se compromete a conduzir o cliente para reorganização das finanças e posterior felicidade, já que não há como curtir a vida com boletos vencidos.

Então, nos próximos meses, vou aplicar as lições e colocar em prática todas as orientações da profissional e, ao final, farei uma avaliação do que melhorou e o que foi perda de tempo.

Você também pode acompanhar esse assunto no blog Seguindo Fora da Linha, que vai ter material exclusivo, incluindo vídeos para quem quiser saber mais de perto quais são os dilemas na hora de organizar as finanças.

1ª Lição

A primeira reunião com Camila Rossi foi carregada de filosofia e reflexões. Pensamentos em torno do que gera sentido a vida, o que é consumismo e o que considero sagrado.

Camila explicou que não adianta pensar só em guardar dinheiro e nem só em gastar, é preciso equilíbrio.

Coach financeira Camila Rossi conduzirá os treinamento para melhoria das minhas (em quem sabe, das suas) finanças (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Conheço gente que guardou a vida toda e, hoje, não tem mais saúde e vitalidade para gozar do trabalho. Isso também não faz sentido”, ela argumenta.

Ela propõe que o primeiro passo é analisar como você usa o seu dinheiro e o que o leva a comprar.

Muitas vezes, os descontroles momentâneos acontecem após uma frustração ou uma situação de contrariedade, o que transforma a compra em uma espécie de compensação pelo orgulho ou/e autoestima feridos.

O resultado acaba no guarda-roupa como sapatos que não usamos, livros que nunca lemos e tranqueiras que, no momento da compra, parecem uteis mas, na verdade, acabam juntando poeira em casa.

No segundo momento, ela propõe pensar no que você comprou que realmente gerou um sentido, ou seja, o que foi importante para você (que você realmente precisa ter) e ficou registrado no coração.

As definições, conforme Camila, vão indicar quais gastos são sagrados e quais precisam ser descartados, bem como os sentimentos que precisam ser analisados e resolvidos sem o uso de cartões de crédito.

Na prática

Eu, particularmente, comecei a ler sobre minimalismo e entrei em uma “onda” de querer trabalhar menos, gastar menos e viver mais. Então, estou fazendo o desentulho da minha casa há muito tempo.

Sendo assim, já estou com este processo em andamento. Posso dizer que é chocante.

Eu tinha exatos seis sapatos de salto, sendo que eu só uso sapato baixo por conta do meu joelho e da minha profissão (ser repórter significa andar muito a pé pela rua).

Quem precisa de milhões de sapatos com apenas 2 pés? (Foto: Divulgação/Pixabay)

Joguei no lixo uma sacola monstro de maquiagens vencidas. Detalhe: eu uso apenas protetor solar e batom. Raramente passo um pó para “assentar a pele”, como dizia minha vó.

As barbaridades não acabaram por aí. Bolsas de todas as cores para quem anda de mochila e, principalmente, quilos de alimentos jogados no lixo.

Fiz cirurgia bariátrica há seis anos e como pouco, porém, sempre comprei com o olho. Quando o estômago estava inteiro, eu comia para compensar todas as frustrações. Agora, eu não consigo ingerir, mas continuo a comprar.

Acho que isso virou um crime, tanto financeiro, como contra o meio ambiente e, até mesmo ético. Certamente, esta parte é a que mais me pegou.

É que eu não como muita “porcaria”, gosto mais de frutas, legumes e comida natureba. Também tenho paixão por produtos veganos. Mas tudo estraga.

Essa semana, fiz “um limpa” nos armários e vou estudar sites na internet sobre organização da alimentação para solteiros. Será minha tarefa.

O que fez sentido

Descobri que alguma decisões que tomei no ano passado fizeram muito sentido na minha vida. Optei por parar de beber porque estava tendo uma ressaca de três dias, o que parava toda a minha vida. Por duas vezes, parei no hospital tomando soro por conta da desidratação.

Cada um tem um produto ou serviço que faz sentido. O meu são os relacionados com experiências (Foto: Reprodução)

Diante do cenário, peguei todo dinheiro que gastava com isso e empreguei na academia – por sinal bem cara – e sessões estéticas.

Analisando pelo ponto de vista financeiro, os dois gastos são altos, mas fizeram todo o sentido.

A academia é uma “facada”, mas como tem muitas opções, vou migrando entre as modalidades e, quando estou chateada com algo, vou queimar a raiva na natação, na corrida ou na musculação e ainda fecho com o ioga.

Fiz amigos lá e isso é uma distração.

As sessões estéticas também são legais. São coisas que eu queria fazer e ficava me privando por conta de grana. Atualmente, com o desperdício controlado, nem é tão difícil como imaginava.

Minha próxima meta, agora, é o investimento em passeios para conhecer as cachoeiras da Chapada dos Guimarães. Moro bem aqui e nunca acho tempo (ou dinheiro). Uma vergonha.

O próximo diário da minha aventura financeira será na segunda-feira (16). Vou falar sobre a ferramenta de gestão e a “linguagem do amor”.

***Caroline Rodrigues é jornalista, repórter do site o Livre durante a semana e editora aos finais de semana. Também tem o Blog Seguindo Fora da Linha e segue a vida sem nenhuma certeza, com muita sorte e pouco juízo.

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