Saneamento básico: coronavírus no esgoto faz lembrar um problema antigo

Em Mato Grosso, 7 a cada 10 municípios não têm rede de tratamento, de acordo com pesquisa do IBGE

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

A importância do saneamento básico no municípios brasileiros voltou a ser discutida depois que uma pesquisa apontou a presença do coronavírus no esgoto. O levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi feito em Niterói, no Rio de Janeiro.

No município, a média de amostras positivas foi de 85%. As coletas foram iniciadas em 15 de abril e são realizadas semanalmente.

Para a pesquisa foram coletadas amostras de esgoto bruto em 29 pontos, incluindo quatro estações de tratamento de esgotos (ETEs), dois pontos de descarte de efluente hospitalar e rede coletora de esgoto.

Em Mato Grosso, o problema é latente: a cada 10 municípios, 7 não têm rede de tratamento de esgoto. O dado foi obtido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) feita em 2017.

Em 2008, última vez que o levantamento havia sido feito, somente 27 municípios do Estado tinham esgoto tratado. Em 2017, esse número subiu para 50. Entretanto, desse total, em apenas 40 o serviço estava realmente em funcionamento.

O número representa menos de 30% dos 141 municípios de Mato Grosso.

Abastecimento de água

No Brasil, 26 municípios não contam com abastecimento de água por rede geral de distribuição que chegue a todos os moradores, segundo o IBGE.

Apenas o Sudeste oferece 100% de atendimento aos municípios e a região Nordeste é a que mais concentra cidades sem abastecimento. Ao todo, são 15 na região. Desses, cinco estão na Paraíba, quatro no Piauí, dois no Maranhão e um no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Bahia.

Em seguida aparece a região Norte com oito município distribuídos entre Pará (6), Rondônia (1) e Amazônia (1).

Nas regiões Centro Oeste e Sul, apenas Mato Grosso (2) e o Rio Grande do Sul (1) aparecem na lista. Por aqui, a situação é vivida em Nova Monte Verde e Bom Jesus do Araguaia, respectivamente a 950 e 610 quilômetros de Cuiabá.

O que dizem os prefeitos?

A reportagem do LIVRE tentou contato com as prefeituras dos dois municípios, mas não obteve resposta.

Na internet, a Prefeitura de Nova Monte Verde anunciou, em 2019, investimentos na rede de abastecimento em diversas regiões da cidade.

Já em Bom Jesus do Araguaia, empresários do ramo hoteleiro dizem que o problema não foi solucionado até hoje.

“Somos um setor que precisa de abastecimento constante e nem sempre é o que acontece. Quem não quiser ter infortúnios precisa investir em captação própria”, afirma a gerente de um dos estabelecimentos.

No mundo, a estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) é que 2,2 bilhões de pessoas carecem de acesso a água suficiente. O contingente equivale a um em cada três habitantes do planeta.

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