Saiba por que setor de TI viverá apagão e o que você precisa para entrar nele

Salários são altíssimos, mesmo assim, sobram vagas no mundo todo. Professor explica porque a conta não fecha

(Foto: Christina Morillo / Pexels)

Sobram vagas, os salários são altos e as chances de conseguir um visto permanente parar trabalhar e morar em outro país são grandes. Mesmo assim, faltam profissionais no mercado. Em partes, é culpa da pandemia. O isolamento social acelerou as mudanças no mundo. Mas a dificuldade da própria profissão em si também colabora.

Estamos falando do setor de Tecnologia da Informação (TI), que especialistas alertam: deve sofrer um apagão de mão de obra nos próximos anos.

Para entender por que isso tem ocorrido e ajudar quem está na página do Sisu sem saber que curso escolher, o LIVRE conversou com o professor Marcos Sena, coordenador do curso de Engenharia da Computação da Universidade de Cuiabá.

– Professor, em primeiro lugar, quais características um aluno precisa ter para se dar bem nessa área?

A primeira coisa é vontade de estudar. Se eu te dissesse que essa é uma área que tem coisas novas todos os dias, eu estaria mentindo. As coisas mudam a cada hora. O aluno que acha que vai sair da faculdade pronto, não vai se manter no mercado. É preciso querer se atualizar o tempo todo.

Essa é a principal característica, mas também ajuda muito a pessoa ter facilidade com matemática, com raciocínios lógicos.

– É fundamental ter um bom nível de inglês também?

Para iniciar, nem tanto. O curso tem muitas palavras e termos em inglês, mas são termos técnicos, que o aluno acaba absorvendo. Mas, sim, é uma língua quase que obrigatória para quem quer evoluir.

Você pode concorrer a vagas no mundo todo. Eu mesmo tenho um ex-aluno que está morando no Canadá, hoje. Passou no processo seletivo de uma empresa e foi trabalhar lá.

Professor Marcos Sena, coordenador do curso de Engenharia da Computação da Unic (Foto: Assessoria)

– A Associação de Empresas de Tecnologia e Comunicação (Brasscom) estima que até 2024 devem ser abertas 420 mil vagas de emprego nessa área. Como é o mercado de trabalho hoje?

Faltam profissionais no mundo todo e o Brasil vive uma verdadeira catástrofe. A pandemia acelerou muito as mudanças. Coisas que talvez nós só fossemos viver em 2025 estão acontecendo agora.

Eu mesmo já não tenho alunos para indicar para as empresas que me procuram. Para você ter uma ideia, as empresas têm contratado estudantes do primeiro, segundo semestre para ensinar. Não podem esperar a formação.

E quem é altamente qualificado está escolhendo emprego. Literalmente, não é exagero. Há pessoas com cinco, seis ofertas de emprego e que podem escolher onde preferem trabalhar.

– E como são os salários?

É uma área muito técnica e que paga muito bem. Há estagiários ganhando mais que pessoas empregadas em outros setores.

Se em outras áreas o valor médio pago para um estagiário é de R$ 600 por mês, nós temos alunos ganhando R$ 1,5 mil.

– Se há tanta oferta e elas são tão boas, por que ainda faltam profissionais?

A maior parte das pessoas que se frustra quando entra num curso de tecnologia, se frustra porque não entende o que o curso exige. Não é fácil. É preciso ter habilidade e disposição para pensar nos problemas e encontrar soluções, ter esse raciocínio lógico.

As pessoas estão mais habituadas à tecnologia hoje em dia, principalmente essa nova geração. Mas também estão muito acostumadas a consumir conteúdo pronto. Nessa área, você tem que pensar e criar.

Além disso, as empresas querem saber do seu nível técnico. Muitas nem olham o currículo, aplicam testes e o que importa é se você se sai bem neles ou não.

– Ainda de acordo com a Brasscom, o Brasil forma por ano cerca de 45 mil profissionais nessa área, mas a demanda é de 70 mil por ano. Muitas pessoas desistem no meio do curso?

Na Unic nós temos vários cursos de Engenharia. A Engenharia da Computação, todos os semestres, é a que forma menos alunos, comparado com as outras áreas.

É plausível dizer que vamos viver um apagão. Até 2024 fala-se na necessidade de 420 mil profissionais. É um número muito alto. Nem o setor da saúde, no meio dessa pandemia, demandou tanta gente.

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