Rodízio de funcionários é questionado por trabalhadores: “Muda o quê?”

Objetivo da prefeitura é diminuir a circulação de pessoas nos comércios e a superlotação dos ônibus

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Na quarta-feira (7), o comércio de Cuiabá amanheceu com uma nova regra para cumprir: o rodízio de funcionários que, em tese, deve evitar aglomerações e desafogar o transporte coletivo. A medida foi decretada pelo prefeito, Emanuel Pinheiro (MDB), mas tem sua eficácia questionada pelos trabalhadores.

“Muda o quê?”, pergunta a gerente de uma loja de roupas, Leimi Mendes, rodeada de três colegas de trabalho que endossam a dúvida.

As quatro usam o transporte coletivo para chegar à loja, que fica na Rua 13 de Junho, Centro de Cuiabá. Com o decreto, tiveram o horário de trabalho alterado e bateram o ponto com uma hora de diferença. A loja funcionou das 8h às 18h.

“Na hora de ir embora, é tudo a mesma coisa. O número de ônibus parece que não aumentou e está tudo lotado. Então, na prática, muda o quê?”.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Não faz diferença

Para outros comércios ao longo da Rua 13 de Junho o decretou não fez muita diferença.

Jeniffer Souza trabalha no caixa de uma farmácia. Lá, as equipes já se dividiam em horários diferentes. O mesmo já é seguido na loja de variedades em que Clodoaldo é gerente.

“Na minha opinião, a medida não vai ser eficaz e não faz diferença por aqui. Mas entendo que é difícil para o prefeito tomar uma decisão em um momento com esse”, reflete. “Se fechasse tudo, o povo ia fazer festa em Chapada dos Guimarães”, completa.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Risco de infecção versus mais ônibus

Ao anunciar a nova medida, a prefeitura determinou também o aumento em 10% da frota do transporte coletivo. Na prática, 20 novos ônibus passariam a circular somando, então, 360 veículos em operação.

“Temos um firme compromisso com a preservação da saúde, garantindo também o direito do cidadão de trabalhar e ganhar o seu sustento”, explicou Pinheiro.

Quem está nas ruas ainda não viu o resultado prático. Leimi e as colegas de trabalho apontam a superlotação, principalmente, em linhas que passam por bairros mais afastados e vão até o Centro. São exemplo, para elas, o 103, a linha 711 e o 605.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

E é aí que mora o perigo. Para o virologista Rômulo Neris, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nesse cenário, o risco de exposição ao vírus em um ambiente com pouca circulação de ar, isolado, podem aumentar consideravelmente.

No mês passado, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) evidenciou a superlotação no transporte público ao divulgar números recordes da covid-19 no Brasil. A fundação ressalta que é momento de reforçar as medidas preventivas e aconselha até o uso de mais de uma máscara de proteção durante o uso dos transportes coletivos.

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