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Ressignificando afetos: qual tipo de pai você é para seu filho?

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Giancarlo Piazzeta

Ressignificar afeto não é uma tarefa fácil. Inclusive, culturalmente homens que
deixam suas emoções mais transparentes são apontados como homens fracos e, logo, vistos como mais frágeis. Mesmo que reprimir as emoções, já constatado em diversos estudos científicos, seja uma prática adoecedora, parte dos homens continuam a se sufocar e sufocando suas proles.

É comum que alguns pais abordem seus filhos, inclusive quando meninos, para dizer “engole o choro, homem não chora”. Homem chora. Pai chora. Criança chora. O ser humano é movido por sentimentos – e eles são estruturais à nossa razão. Essa disputa binária razão versus emoção não existe, é uma completa bobagem repassada boca a ouvido.

Apesar do senso comum, há uma parcela de pais que têm refletido sobre o tipo de paternidade que deseja exercer – e nesta quebra de padrões, é frequente que não apenas em datas comemorativas, como a do Dia dos Pais, alguns deles estejam cada vez mais
participativos nas atividades escolares e na vida de seus filhos – inclusive, emocionalmente.

Isso porque há um estereótipo do pai trabalhador, mas que, no entanto – raramente se encontra emocionalmente disponível para seus filhos, diga-se amável, afetuoso.

Neste momento, o afastamento do pilar emocional masculino para com toda família, também ajuda a construir a narrativa de que o cansaço da lida justifica a ausência do suporte afetivo. O que, na mesma lógica, sobrecarrega as mães que não podem suprir o papel da tríade pai-mãe-filho.

Nada mais bizarro que termos como “pãe”, que normalmente decaem em mães sobrecarregadas ou pais que fazem sua obrigação, mas são vistos como mais afetuosos e, logo, relacionados às mães. Crianças com bom suporte emocional, são as crianças saudáveis. Além disso, pais emocionalmente equilibrados, que se auxiliam, também são.

É um fato que a maioria das mães se dedicam a muitas atividades, muitas vezes sem divisão, e sequer são mencionadas por isso – a paternidade nunca foi compulsória tal qual a maternidade tem sido desde sempre. Não é possível mais ficar cegos as necessidades de aprimorar a figura paterna. É por isso mesmo que sinto a necessidade de reforçar o questionamento aos pais dedicados e conscientes de sua importância. Que tipo de espaço, não apenas físico ou financeiro, mas emocional – desejamos representar na vida dos nossos filhos?

Que essa data seja uma ótima oportunidade para novas reflexões.

Giancarlo Piazzeta é pai, psicólogo e diretor da Tia Coruja Berçário e Educação
Infantil.

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