Rendimento de alunos caiu até 80% durante os meses de ensino remoto

Pior resultado foi para os conteúdos de matemática aplicados a estudantes do ensino médio na rede pública

(Foto: Reprodução/August de Richelieu/Pexels)

O rendimento de alunos da rede pública caiu até 80% durante os meses de ensino remoto. A queda é maior para assuntos de matemática, mas os de português também ficou bem longe da aprendizagem normalmente registrada nas escolas. 

Os números estão na pesquisa “Perda da Aprendizagem na Pandemia” divulgada este mês pelo Instituto Ensino e Pesquisa (Insper) em parceria com o Instituto Unibanco.  

Foi medido o nível de conteúdo aprendido por estudantes das redes pública e privada no país. O resultado mostra o que já vinha sendo apontado por especialistas, maior prejuízo para o ensino público. 

As questões de matemática foram absorvidas com satisfação somente em 17% do que foi aplicado desde o fechamento das escolas, entre fevereiro e março de 2020. Já o conteúdo de português teve média de 38%. 

Engajamento e escolas fechadas 

Os percentuais da pesquisa foram contrastados com a média de rendimento dos alunos em sala de aula antes da pandemia, ou seja, a situação hoje pode piorar.   

A piora na avaliação é relacionada na pesquisa ao engajamento dos estudantes no ensino remoto e ao tempo em que as escolas ficaram fechadas. Apenas 36% dos alunos conseguiram acompanhar a jornada de 25 horas semanais de aulas via computador ou telefone celular.  

A participação variou conforme a classe econômica e o ambiente familiar de cada aluno. 

Já quanto a ida para a escola, 98% da rede pública se mantiveram fechadas nos últimos 17 meses, entre unidades da rede privada a suspensão das atividades presenciais ficou em 70%. 

Década em recuperação 

Segundo o doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Silas Monteiro, a recuperação da defasagem da aprendizagem poderá levar mais de 10 anos de duração. 

Além do desenvolvimento individual de cada aluno, a mitigação do problema passará pela capacidade das escolas em identificar as dificuldades e dar resposta adequada. 

“A questão não é só reabrir as escolas e voltarmos a ter aula presencial. Houve um recuo no desenvolvimento dos alunos durante os meses que as escolas ficaram fechadas. Será necessário identificar os problemas e montar uma estratégia de educação de recuperação, senão, vamos somente passar por cima do furacão de problemas causados pela pandemia”, afirma. 

Ele diz que o problema de baixo rendimento na aprendizagem é mais antigo do que o contexto da pandemia e foi “escancarado” pelo fechamento das escolas. O agravamento de agora seria uma piora acentuada do quadro. 

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