Renan Jonatas, 16: o garoto que morreu porque alertou o amigo sobre facção

Ao contar ao colega, este fugiu antes de ser assassinado e, por isso, a morte do adolescente foi decretada

Após um mês de procura pelo adolescente Renan Jonatas Ramos, de 16 anos, a Polícia Judiciária Civil solucionou o caso de seu desaparecimento.

O menino foi morto por uma facção após avisar um colega de que a morte dele estava decretada e este fugir. Renan pagou com a própria vida, por ter salvado a do colega.

A mãe do adolescente, Lizanete Luiz Pimenta, procurou a Delegacia de Alta Floresta (790 km de Cuiabá) no dia 21 de abril, dizendo que o filho havia desaparecido. Desde então, a Polícia Civil iniciou as buscas ao menino.

Além de pedir ajuda à polícia, ela também recorreu às redes sociais e fez publicações com fotos e textos emocionados pedindo às pessoas para compartilhar as imagens e ajudá-la a encontrar o filho. Juntas, as publicações chegaram a mais de 300 mil compartilhamentos.

No dia 5 de maio, quando já havia 15 dias do desaparecimento de Renan, ela fez um apelo:

“Já se vão 15 dias e nada de você, meu filho. Já fiz tudo, agora quero que você entenda que você deixou sua família para trás, sem notícias, com o coração [apertado]. Se você tiver fugido com medo de alguma coisa e não quer fala onde está, pelo meno pega o telefone e me liga, avisa, ‘mãe, estou bem, só que estou fugido’, para eu ficar mais tranquila. Eu não aguento mais de tanta angústia”, escreveu.

De informante a próxima vítima

Durante os 30 dias de checagem de informações, os policiais da Divisão de Homicídios, com apoio das Divisões de Entorpecentes e de Roubos e Furtos da Delegacia de Alta Floresta, descobriram que Renan supostamente fazia parte de uma organização criminosa da cidade e que teria sido morto por seus comparsas.

Mas os policiais descobriram, também, que até chegar à morte de Renan, primeiro ele ajudou a salvar a vida de um colega.

Segundo a Polícia Civil, a facção havia decretado a morte de um comparsa do adolescente, mas antes que o homicídio acontecesse, Renan avisou o rapaz, que fugiu da cidade de Alta Floresta e, por isso, não foi morto.

Como castigo por ter evitado a morte, a principal liderança da associação criminosa, junto aos “conselheiros”, decretou a morte de Renan.

Morto a tiros

Após um mês de investigações, o corpo de Renan foi encontrado na tarde desta quinta-feira (21), em avançado estado de decomposição, na estrada Céu Azul, na Comunidade Paraíso, zona rural de Alta Floresta.

O adolescente estava a 10 metros de uma cerca, com as roupas que havia desaparecido: calças jeans, camiseta amarela, boné, chinelos e com a carteira com os documentos pessoais.

Foram encontrados quatro buracos no crânio e um projétil de arma de fogo, indicando que ele foi morto a tiros. O projétil foi encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que fará a caracterização, identificação e comparação balística.

Apesar da localização do corpo e da possível elucidação da causa do assassinato, divulgada pela Polícia Judiciária Civil, ninguém ainda foi preso pelo crime.

A PJC afirmou que as investigações agora serão intensificadas em busca de confirmar os indícios, identificar os autores e prender os envolvidos no homicídio. (Com Assessoria)

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorPedido “inacreditável” ao STF
Próximo artigoMinistério não comunicou MT e pesquisadores da covid-19 continuam sendo presos

O LIVRE ADS