|terça, 21 agosto 2018

    Reminiscências políticas

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    Estive muito próximo da primeira eleição pelo voto direto para governador e senador em Mato Grosso, em 1982. Até então as eleições para os cargos executivos eram decididas pelos votos dos parlamentares. Senador, pelo voto direto.

    Em 1982 duas candidaturas a governador polarizavam a disputa. Pelo PDS, o partido oficial do governo militar, disputava com 36 anos o ex-deputado federal e ex-prefeito de Várzea Grande Júlio Campos, conhecido como Julinho, com militância estudantil. Pelo MDB, o Padre Raymundo Pombo. Professor salesiano do prestigiado Colégio São Gonçalo, de Cuiabá, representava a ética e a novidade na eleição. Amado por antigos estudantes do colégio, fora professor além de Júlio Campos, de outros líderes como o deputado Carlos Bezerra o maior nome do MDB em Mato Grosso.

    Porém, caminhavam em paralelo alguns nomes muito importantes: o ex-embaixador do Brasil em Londres, Roberto Campos, e o ex-reitor e fundador da UFMT, o médico Gabriel Novis Neves. Médico parteiro conhecidíssimo em Cuiabá, representava a legítima alma cuiabana na disputa ao Senado. Mas disputava na mesma chapa de Roberto Campos.

    O governador de então, Frederico Campos, pisava em ovos. O governo do presidente João Baptista Figueiredo queria Roberto Campos eleito a qualquer preço. Isso queria dizer a qualquer preço mesmo! No Senado Federal os terríveis desgastes da economia brasileira precisavam de contraponto e defesa. Roberto Campos seria uma esperança de defesa do governo. O ministro do Planejamento, Delfim Netto, amigo de Roberto Campos, despejou dinheiro em Mato Grosso. Para se ter uma ideia do peso de sua candidatura, das 20 maiores empreiteiras do Brasil, 18 vieram pra Mato Grosso tocar obras em rodovias e em energia elétrica. Esses setores eram extremamente deficitários no estado.

    O governador Frederico Campos criou com o apoio do ex-embaixador dois grandes programas de infraestrutura: o Carga Pesada, para estradas, e o Cyborg, para energia. Tudo com dinheiro federal ou com empréstimos internacionais alcançados com a ajuda, apoio e intervenção direta de Roberto Campos.

    Não deu tempo de Frederico Campos executar os dois programas. Caíram de graça no colo do governador eleito em 1982: Júlio Campos.

    Mas volto à eleição para senador no PDS. Frederico e Júlio, que não são parentes, pisavam em ovos porque na mesma caravana eleitoral que percorria os municípios iam os dois candidatos: Roberto Campos e Gabriel Novis Neves. Como pedir voto no palanque para um dos dois, embora o desejo fosse que só um ganhasse? Acompanhei muitas daquelas viagens eleitorais e assisti dezenas de vezes o mal-estar resultante daquela difícil diplomacia.

    Ao final, Roberto Campos ganhou. Cumpriu um mandato de senador e depois mudou-se pro Rio de Janeiro, onde elegeu-se deputado federal em 1994. Morreu em seguida. Mas ninguém pode negar que ele tenha mantido o seu compromisso de puxar dinheiro para o estado. Mas, em meio ao seu mandato, acabou desentendendo-se com o governador Júlio Campos e abandonou a política de Mato Grosso.

    Na outra ponta da disputa pela mesma vaga de senador, o ex-governador José Garcia Neto, disputou pelo MDB. Perdeu pra Roberto Campos e deixou a política. Uma grande perda para o futuro político do estado. Junto com a de Dante de Oliveira, são as duas grandes perdas na política mato-grossense

    Ah. O discurso do Padre Pombo na campanha era muito difuso. Pouco ligado à oposição do MDB fazia um discurso confuso. Mas tinha uma promessa certa: implantar o pequi na agricultura mato-grossense. Virou piada. Mas era sereno, decente e felizmente não se elegeu. Não tinha menor vocação…

    Assinatura Coluna Onofre

     

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