Principal-old

Relatório da CPI da Funai é aprovado sem alterações

Foto de Redação
Redação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluiu nesta terça-feira, em Brasília, a votação do relatório do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

 

O texto-base, que prevê o indiciamento de 67 pessoas, entre lideranças comunitárias, antropólogos e servidores, foi aprovado há duas semanas e mantido com a rejeição de sugestões de mudanças propostas pela oposição.

 

Os membros da comissão, composta em sua maioria por deputados que integram a Frente Parlamentar da Agropecuária, a chamada bancada ruralista, rejeitaram os dois destaques apresentados pela deputada Érika Kokay (PT-DF) que estavam pendentes de análise.

 

Proposta rejeitada

 

No primeiro destaque, a deputada oposicionista pedia que os indiciamentos propostos pelo relator fossem retirados do relatório. Na última reunião, o relator aceitou excluir apenas as pessoas que já morreram e o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho.

 

O relator também retirou os integrantes do Ministério Público, o que reduziu o número de pedidos para 67. O pedido de indiciamento é um dos pontos mais criticados do relatório final da comissão, principalmente por entidades que atuam na defesa dos direitos indígenas.

 

As lideranças comunitárias avaliam que o pedido de indiciamento é equivocado e visa criminalizar os agentes que atuam de forma contrária aos interesses econômicos do agronegócio.

 

O outro destaque não considerado pedia que fossem retiradas as proposições de reanálise de processos de demarcação de terras indígenas já realizados pela Funai e o Incra. E a supressão da proposta dos ruralistas para regulamentar o processo de demarcação e permitir a desapropriação de terras indígenas que não estavam ocupadas antes de outubro de 1988 e restringir a demarcação apenas para terras ocupadas.

 

Tentativa de adiamento

 

Como em todas as reuniões da CPI, os oposicionistas tentaram adiar a conclusão dos trabalhos da comissão. O deputado Nilto Tatto (PT-SP) questionou a ausência das alterações prometidas pelo relator na ata da última reunião. O presidente da comissão, deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), negou os questionamentos e deu continuidade à votação.

 

Para a deputada Érika Kokay, o relatório é “um panfleto contra o povo” e o trabalho da CPI representa uma tentativa de nova colonização do país pelos proprietários rurais. O deputado Mauro Pereira (PMDB- RS) defendeu o relatório e considerou o posicionamento da oposição como “demagogia”. A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) argumentou que os pedidos de indiciamento de antropólogos mostram a “ideologização” do trabalho da CPI.

 

Nilson Leitão rebateu as críticas dizendo que o governo do PT foi o que menos demarcou e contribuiu para “desaparelhar” a Funai e declarou que “quem comete crimes tem que responder por eles”, em referência aos pedidos de indiciamento.

 

Parlamentares do PT, PSOL, PCdoB e PSB anunciaram que reapresentarão uma versão paralela ao relatório aprovado pela comissão em que denunciam as “manipulações” da CPI. A oposição informou que irá ao Ministério Público para tentar invalidar os resultados da comissão.

 

Demarcação de terras indígenas

O documento elaborado por Leitão tem 3.385 páginas e pede, entre outros pontos, a “reestruturação” da Funai, depois de fortes críticas à proposta inicial de extinção do órgão. O documento pede ainda a reanálise da demarcação de terras indígenas e dos procedimentos administrativos em andamento no Ministério da Justiça.

 

No relatório, também há a recomendação de que mais de 90 pessoas, entre lideranças indígenas, religiosas, antropólogos, procuradores da República, técnicos da Funai e do Incra e defensores dos direitos dos povos originários, sejam indiciados por supostos crimes cometidos durante o processo de demarcação de terras indígenas. O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também está na lista dos pedidos de indiciamento.

 

Com o encerramento da votação do relatório final, a CPI da Funai e Incra 2 concluiu os trabalhos nesta terça-feira. O prazo de funcionamento da comissão se encerraria no último dia 27, mas foi prorrogado por mais 30 dias pela presidência da Câmara a pedido do deputado Alceu Moreira.

A CPI foi instalada em 2016 considerando a necessidade de investigação de casos de fraudes e desvios ocorridos no processo de demarcação de terras conduzido pela Funai e o Incra. O relatório agora será encaminhado aos órgãos de investigação.

(Com Agência Brasil)

Notícias em primeira mão

Junte-se à nossa comunidade exclusiva no Whatsapp e seja notificado sobre os furos de reportagem e análises profundas antes de todos.

Últimas Notícias

Crônicas Policiais

Passageiro é preso no Aeroporto Marechal Rondon com 10,6 kg de cocaína colada ao corpo

Denúncia da Denarc levou à abordagem antes do voo
Crônicas Policiais

Vereador de Barra do Bugres que espancou esposa é preso em Cuiabá após 24 horas foragido

Laércio Noberto Júnior foi detido no bairro do Porto neste sábado
Crônicas Policiais

Homem é preso após agredir dona de bar e entrar em briga com facão no interior

Filho da proprietária interveio para defendê-la; suspeito de 37 anos foi capturado pela PM embriagado e com ferimento na perna
Crônicas Policiais

Menino de 12 anos é obrigado a cavar a própria cova em “tribunal do crime” em VG

PM resgatou a vítima momentos antes da execução no bairro Vila Arthur; quatro integrantes de facção foram presos com pás e picaretas
26 de abril de 2026 06:07