Recheio e cerveja na massa, estes são os segredos do pastel de Jangada

Primeiro vendedor da cidade ensina como fazer massa da iguaria, que é conhecida nacionalmente

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Mario Japonês era borracheiro e recebeu em casa um amigo, que vinha do Paraná e não estava com as finanças bem das pernas. O homem não sabia nenhum ofício e o único talento que tinha era fazer pastel.

Naquela época, 1983, Jangada (85 km de Cuiabá) era quase uma vila, porém por estar nas margens da rodovia, tinha grande potencial comercial.

“Então eu disse para ele, vamos vender pastel aqui na borracharia. Eu entro de sócio com você”, conta Mario.

A partir daquele acordo, a localidade passou a construir a sua identidade de cidade do pastel.

Sem se preocupar com a concorrência, o borracheiro e pasteleiro passou a receita para os vizinhos e com o tempo, cada um foi adaptando conforme experimentações.

Várias barracas estão instaladas no entorno da rodovia e tem cliente para todas (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Porém, vale lembrar que nenhuma alteração descartou as marcas registradas de um bom pastel: recheio sem miséria e cerveja na massa.

Segundo Mario, que hoje vive com os filhos apenas da venda dos pastéis, quando as pessoas misturam pinga, a massa fica quebradiça e esfarela demais. Fica ruim de comer e desagrada o cliente.

Já o recheio, é essencial para se ter sustância e satisfação. Aquela vontade de voltar.

Então, é necessário caprichar na quantidade e no tempero, comprado diretamente dos agricultores familiares do município. Assim como a mussarela, que precisa ter presença e não ficar aguada.

Para quem está com muita fome, o sabor indicado é carne com queijo, que também é o que tem mais saída, principalmente pela manhã, quando os motoristas param para tomar o café da manhã.

Apesar do corpo franzino, Seo Mario diz que todos os dias come pastel de carne com queijo. Muitas vezes mais de um. Ele garante que a iguaria não engorda.

Quando perguntei sobre sabores exóticos e diferentes, o comerciante diz que não compensam porque as pessoas gostam do tradicional. E, desta forma, é possível manter o preço de R$ 5.

Cada uma das barracas da margem da rodovia tem um valor, sendo o mais barato R$ 5 e o mais caro R$ 6,50.

Os sabores disponíveis são: carne, presunto, frango, palmito e queijo.

A barraca dos famosos

Por estar a mais tempo no local, Mario coleciona clientes famosos e diz que muitos ligam no celular dele para avisar que estão chegando. A maior parte é políticos que já conhecem o produto dele e sabem que o comércio funciona 24 horas.

“Júlio Campos mesmo sempre avisa que estará passando por volta de tal hora. Aí, já esperamos ele e a equipe”.

Além dos mato-grossenses, reportagens nacionais vieram até o local e quando não estão na barraca de Mario, estão prestigiando os vizinhos, o que vira uma movimentação na rodovia.

“Já apareceu o pastel de Jangada na Ana Maria Braga e nós também conseguimos fritar um pastel de 1,74 metros, o maior do Brasil. Teve quem tentou fazer maior, mas não conseguiu virar”.

O maior pastel do mundo foi frito em Jangada e devorado em segundos pela população (foto: arquivo pessoal)

Desde 1989, a Pastelaria do Japonês funciona diuturnamente. Nem mesmo nas datas comemorativas e feriados, como o de Natal, os trabalhos são interrompidos.

Receita

  • 5 kg de trigo
  • 1 garrafa de cerveja de 600 ml
  • 5 colheres rasas de sal
  • 1/2 litro de óleo
  • 1 litro de água

É só sovar, esticar, rechear e fritas.

Segredo do Recheio

Já o segredo do recheio está na qualidade dos ingredientes, vendidos na feira de Jangada. Entre eles está a muçarela, cujo especialista é José Pereira.

Ele tem uma ordenha mecanizada no sítio dele e não consegue produzir o suficiente para atender as encomendas, que são muitas.

“Quando frita o pastel, a minha muçarela fica presente e estica. Não é como as aguadas que chegam de fora”, explica o agricultor.

O segredo, confidencia José, é porque ele não tira a manteiga. Ele explica que os laticínios querem aproveitar ao máximo os subprodutos do leite e deixa a muçarela sem gosto.

Em menos de duas horas, o sitiante vende tudo que produziu na feira da cidade (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

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