Rebanho bovino reduz em 2018, em ano marcado por altas no abate e exportação

Mato Grosso respondeu por 14,1% do total nacional, mas o município com maior rebanho foi São Félix do Xingu, no Pará

Foto: Chico Valdiner

Todos os efetivos animais brasileiros cresceram em 2018, exceto o rebanho bovino, que diminuiu 0,7%, o equivalente a 1,5 milhão de cabeças a menos na comparação com 2017. É a segunda queda consecutiva após atingir patamar recorde em 2016. Mesmo assim, o país possui o maior rebanho comercial bovino, com cerca de 213,5 milhões. Mato Grosso respondeu por 14,1% do total nacional, mas o município com maior rebanho foi São Félix do Xingu, no Pará.

Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada na sexta-feira (20) pelo IBGE. O crescimento do abate e o recorde na exportação de carne bovina, em 2018, contribuíram para a redução no efetivo bovino, que ocorreu nas regiões Sul (-3,3%), Sudeste (-1,2%) e Centro-Oeste (-0,4%). O rebanho cresceu 0,2% no Norte e Nordeste.

Segundo a gerente da PPM, Angela Lordão, a queda no rebanho pode ser influenciada pelo aumento do abate de matrizes nos últimos anos.

“A questão é que a pecuária de corte tem ciclos de alta e baixa. Então, em alguns anos, principalmente devido ao preço do bezerro e ao preço da arroba, ocorre um descarte maior de fêmeas. Isso aconteceu em 2006 e 2007, depois voltou a acontecer a partir de 2012. Estamos vendo agora um novo ciclo de baixa que começou em 2017”, disse.

O crescimento de bovinos em São Félix do Xingu, nos últimos 10 anos, foi de 18% e em 2018 o rebanho do líder na pecuária totalizava 2,3 milhões de animais. O segundo e terceiro maiores rebanhos pertenciam aos municípios de Corumbá e Ribas do Rio Pardo, ambos no Mato Grosso do Sul. Em termos de crescimento do efetivo entre 2008 e 2018, destacaram-se dois municípios localizados paraenses, Novo Repartimento (142,3%) e Marabá (102,7%).

A analista da pesquisa Mariana Oliveira ressaltou que o Centro-Oeste lidera, desde 1981, a produção de bovinos, porque a região mostrou-se bioclimaticamente favorável e, também, por questões econômicas, como escoamento e logística.

“Para o nicho de bovinos que precisa de espaço, logística e escoamento, o Centro-Oeste e o Norte têm aptidão para esse tipo de criação, por isso tem esse crescimento. Norte e Centro-Oeste sobem de maneira semelhante, mas o Norte começou com efetivos bem menores”, explicou.

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