|terça, 21 agosto 2018

    Realidade Imaginada

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    Não morro de amores pelo (ex?) presidente Temer, mas acho que ele (está) estava fazendo um bom trabalho, considerando as complicadas circunstâncias do país, deixadas pela esquerda que o governava antes.

    Há claros sinais de melhora após um ano de governo: a inflação está abaixo do centro da meta, os juros da taxa básica em queda constante, o risco Brasil inferior a 200 pontos, a avaliação das agências de classificação de risco melhoraram e, principalmente, começava a diminuir o desemprego.

    Fora os militantes do PT, que apostavam na piora da economia, a população em geral e o setor produtivo estavam progressivamente acreditando mais na recuperação.

    A saída do presidente determinará uma paralisação na atividade geral, como aconteceu na fritura e posterior eliminação de Dilma. Condenei na época o afastamento dela por não estar convencido de sua culpa. As tais pedaladas foram uma desculpa para eliminá-la.

    Em maio de 2016, escrevi: “No segundo mandato, quando quis redimir-se da burrada que fizera, tentou (Dilma) consertar a cagada, propondo entre outras coisas assumir o déficit fiscal, rediscutir a Previdência e ressuscitar a CPMF. Aí deputados e senadores não lhe permitiram a tentativa de reparar o erro. Foram contra as propostas dela, atrasando em mais de um ano o início da recuperação do país”.

    Os políticos afirmaram que, naquele momento, a presidente não tinha mais condições de governar, e era verdade. Mas não tinha porque não deram. Se lhe tivessem dado apoio, a recuperação começaria mesmo com ela governando.

    Perdemos mais de um ano com a Dilma sangrando, começamos a melhorar com o Temer e vamos perder tudo de novo nesse novo impedimento/afastamento/renúncia ou inércia.

    Antes de explodir a bomba JBS, eu condenava o movimento de afastamento do presidente por ser uma ação totalmente política, estimulada pelo poli denunciado e seu partido, que teimam em voltar ao poder para terminar de aniquilar o país. Agora, vejo que é quase impossível ele terminar o mandato tampão. As mesmas desavenças políticas que defenestraram Dilma eliminarão Temer.

    As antigas sociedades belicosas, cuja maior atividade era promover brigas e saques entre grupos e tribos, só passaram a prosperar quando entenderam que era perda desnecessária de energia saquearem-se mutuamente e uma idiotice matarem-se uns aos outros nas batalhas. 

    A política é o lugar onde ainda se ignora essa conquista evolutiva. Lá, grupos opositores, aplaudidos por eleitores inconsequentes, digladiam-se diariamente para evitar o sucesso dos que estão no comando. Quando uma turma governa, a outra faz o impossível para impedir o sucesso. Atos que o grupo A repudia e o B apoia, serão condenados por este último e louvados pelo primeiro se inverterem as posições de mando. Foi assim com Temer, que conseguiu algum apoio para muitas medidas que Dilma quis aprovar sem sucesso.

    Essa história de valorizar a oposição irracional, como o senso comum defende, em prejuízo da cooperação, talvez seja uma “realidade imaginada” ou “ordem imaginada”, que é a aceitação de algo “inventado” como se fosse uma verdade incontestável.

    Estranho que a sociedade aceite o prosseguimento deste jogo deletério (situação contra oposição), que traz prejuízos reais para todos no longo prazo.

    Assinatura Renato de Paiva

     

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