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R$ 400 e um sacolão: funcionários da limpeza fecham a UFMT para receber salários

Foto de Camilla Zeni
Camilla Zeni

As guaritas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) voltaram a ser bloqueadas nesta segunda-feira (19). Desta vez o movimento é liderado por trabalhadores da Presto Terceirização, responsáveis pelo serviço de limpeza. Com mais de 100 trabalhadores, a equipe está parada desde quarta-feira (14). O movimento tem apoio do movimento estudantil e dos sindicatos de servidores da UFMT.

Em média, os salários dos profissionais é de cerca de R$ 1 mil. Contudo, eles têm recebido os pagamentos de forma atrasada, sempre ao final do mês seguinte. Segundo revelaram ao LIVRE, a situação tem se repetido desde janeiro.

No protesto organizado para esta manhã, cerca de 90 trabalhadores participaram. Eles informaram que os salários de julho ainda não foram pagos e não há previsão para uma solução.

Na sexta-feira (16), um representante da empresa esteve com os trabalhadores para apresentar uma proposta. Contudo, ele teria oferecido apenas a doação de cestas básicas, o que foi rejeitado pela categoria.

“O que eles nos ofereceram esse mês foi R$ 400 e um sacolão. Não trabalhamos só para comer”, ponderou a grevista Maísa Santos.

Uma nova proposta deve ser apresenta no fim da tarde desta segunda-feira.

Atrasos recorrentes

Segundo os profissionais, devido aos recorrentes atrasos, sindicato e empresa se reuniram no Ministério do Trabalho. A audiência aconteceu no fim de junho, ocasião em que uma série de medidas ficaram acordas. O pagamento dos salários em dia fazia parte do acordo.

Na ocasião, a empresa também se comprometeu a repassar valores retroativos, referentes a aumento salarial que não foi incorporado, e a doar um sacolão para cada trabalhador.

À reportagem, a funcionária Maria Gomes informou que a empresa alegou que tentou entregar os sacolões. “Usaram como pretexto a paralisação da guarita, na semana passada. Disseram que a empresa veio aqui e não conseguiu entrar”, comentou.

Carros tomam conta da via após terceirizados fecharem guarita da UFMT (Foto: Camilla Zeni/ O Livre)

Repasses

Por um lado, a alegação da empresa seria a falta de repasses por parte da UFMT.

Contudo, segundo a represente do Sindicato dos Trabalhadores da UFMT (Sintuf), Marilin Castro, explicou, o contrato firmado entre a empresa e a Universidade prevê até 90 dias de carência para o pagamento. Dessa forma, a Presto Terceirização deveria arcar com os salários mesmo sem o repasse.

“A UFMT está dentro do prazo legal. Mas o problema todo, que fez eles paralisarem e fecharem as guaritas foi o não cumprimento do acordo com o Ministério do Trabalho”, explicou.

Conforme levantamento do LIVRE, o Portal Transparência do Governo Federal mostra que, de janeiro a agosto, a empresa já recebeu da União R$ 7,2 milhões.

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24 de abril de 2026 23:36