“Quero voltar para buscar minha filha na Venezuela”

Lui quer trabalhar em uma fazenda para juntar dinheiro e ajudar a família

Lui Roman Olivare, 25, chegou em Cuiabá há dois dias e se uniu a outros compatriotas nos canteiros e semáforos da cidade. Venezuelano, do estado Delta do Amacuro, ele busca emprego ou algum tipo ajuda para a sobrevivência da sua família.

“Eu pensava que era diferente, mas quero achar um emprego em fazenda e mandar dinheiro para minha filha que ficou na Venezuela”

No quadro 5 perguntas, Olivare fala sobre as suas expectativas, experiências e impressões dos locais por onde passou no Brasil – Roraima, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso.

Um percurso pra lá de surpreendente, parte feito de ônibus, parte de carona e o restante a pé.

1- Você contratou algum coiote para chegar aqui?

Não. Eu tive sorte porque quando passei pela fronteira, ela estava aberta, o que não é normal.

Eu sai da Venezuela de ônibus e demorei 5 dias para chegar até Paracaima (RR). De lá até Boa Vista, foram 213 km a pé.

A viagem continuou de ônibus da capital de Roraima, passando por Manaus e Porto Velho (RO), até chegar ao destino Cuiabá. No total, foram 11 dias de viagem.

2 – Você achava que o Brasil era um país rico?

Sim. Eu achava que era rico porque minha irmã veio primeiro e conseguiu um emprego em Manaus. Ela mandava bastante dinheiro para nossa família.

Quando cheguei aqui, vi que era diferente. Em Boa Vista mesmo, as pessoas não querem dar emprego para venezuelanos porque muitos pilantras ficam pela rodoviária e vendem drogas.

Isto fez ficarmos com a fama ruim.

Por este motivo, optei por seguir o meu caminho até chegar aqui.

3 – O que mais causa estranheza na comida brasileira? E, qual a melhor comida da Venezuela?

Eu acho estranho os grãos. Lá comemos arroz e carne meio-dia. É muito raro comermos feijão ou outros tipos de grãos.

Já a comida venezuelana que não sai da minha cabeça são as arepas (espécie de sanduíche com pão de milho)

4 – Já fizeram alguma proposta de trabalho indecente aqui?

Nunca. Desde que entrei no Brasil tive empregos em fazendas (diarista) em Roraima e em uma indústria (por alguns dias) em Manaus. A empresa fechou.

Hoje eu procuro outra coisa em fazenda.

5 – Você tem vontade de voltar para o seu país?

Eu quero voltar para buscar a minha filha que ficou na Venezuela.