Quer ser vereador? Novatos e veteranos da política ensinam a receita do bolo

Ser conhecido e ter trabalho para mostrar são ingrediente fundamentais, segundo quem já tem mandato

Na Câmara de Cuiabá, 25 vagas estarão disponíveis em 2020 (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

A eleição de 2016 promoveu uma renovação de 52% das cadeiras da Câmara Municipal de Cuiabá. Um percentual, na época, considerado expressivo, mas que poderia ser menor, se levado em consideração que parte desses vereadores “novatos” era constituída, na verdade, por membros de famílias politicamente já constituídas ou “braços direitos” de políticos aposentados.

Um cenário que, para o vereador Felipe Wellaton (PV) – empresário que conseguiu seu primeiro mandato justamente nessa ocasião – não representa uma verdadeira democratização do Parlamento. Na Câmara, hoje, não existem mulheres e muitos setores não estão representados entre os parlamentares.

Mas o que de tão difícil tem no caminho de quem pretende se transforma em político? O médico do Sistema Único de Saúde (SUS) Luiz Fernando Amorim está a um passo de descobrir. Os vereadores Toninho de Souza (PSD) e Renivaldo Nascimento (PSDB) – respectivamente o 1º e 3º mais votados de 2016 – já sabem.

É preciso ser conhecido! E já ter um mandato anterior – ou um padrinho político – facilita muito isso.

“Os mandatos anteriores foram fundamentais. A eleição mais difícil foi a primeira. Na segunda, a gente já tinha um trabalho para ser mostrado”, reconhece Renivaldo, pontuando que quase não saiu da sua rotina para garantir o resultado expressivo nas urnas em 2016.

Da primeira vez, o vereador – que é servidor público do governo do Estado – contou com a família, os amigos e os colegas da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) para fazer campanha pelo seu nome.

É mais ou menos o caminho que Luiz Fernando quer trilhar. A pré-campanha vem sendo construída junto a colegas de trabalho e familiares. Só se sentir que o projeto pode mesmo dar certo é que ele deve ir em busca de um partido, uma decisão que esperar tomar até o final do ano.

Serviço prestado

Ter trabalho prestado para mostrar para o eleitor é um dos ingredientes que fazem o “bolo” de votos crescer, segundo Toninho de Souza. Apresentador de televisão, o parlamentar lembra que sua primeira vitória foi “sofrida”.

“Fui o penúltimo colocado. Mas eu só queria uma oportunidade para entrar e mostrar serviço. Entrei e implementei um estilo de trabalhar”, ele revela.

Questionado se aparecer na televisão diariamente colaborou, ele responde: “ajuda, mas não é fundamental. Tanto é que vários nomes conhecidos disputaram eleição, mas não ganharam. De repente a pessoa é até conhecida, mas não tem carisma, credibilidade política. Conhecido, até o Fernandinho Beira Mar é. Você votaria nele?”.

E esse ingrediente o líder comunitário Mário Benevides apostar já ter. Atuante no Pedra 90, um dos bairros mais populosos de Cuiabá, ele diz que são os moradores da região que o incentivam a entrar na disputa eleitoral de 2020.

Na lista de feitos já realizados, ele pontua entrega de um conjunto habitacional, de pontos de ônibus, a extensão de uma rede de iluminação pública e – ainda no papel, mas com uma promessa forte de concretização – a primeira agência bancária do bairro.

Formação

Mas só ter uma grande rede de amigos e familiares e algo já feito em prol da sociedade não garante muita coisa. Na avaliação de Wellaton, é preciso – antes de mais nada – saber o que faz um vereador e projetar sua imagem – de preferência – sem gastar tanto dinheiro.

Para ensinar a fazer isso, o parlamentar idealizou o curso Protagonize, focado na formação de novos políticos, que trabalha desde a pré-campanha, com o repasse de estratégias de marketing e divulgação que não exijam grandes recursos.

Vereador Felipe Wellaton, idealizador do programa Protagonize (Foto: Assessoria)

“Campanhas com baixo investimento e grande impacto. Conhecimentos que as pessoas que estão nos cargos têm acesso ou podem pagar para alguém que os tenha”.

A segunda parte do curso aborda as questões práticas de um mandato, como a fiscalização, peças orçamentárias e o aspecto judicial inerentes ao trabalho.

“O objetivo é ter novos políticos, independente do partido, que estejam interessados em ter um mandato voltado aos resultados”.

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