Quem perde se os candidatos à Presidência não forem a debates eleitorais?

Cientista político diz que eventos para confrontar e comparar ideias de concorrentes são os meios mais democráticos de campanha

Os dois principais candidatos ao comando do Brasil, Lula (PT) e Bolsonaro (PL), demonstraram recentemente que não farão muita questão de ir aos debates eleitorais. Eles têm motivos próprios para evitar confrontos que dão chance para o adversário explorar as falhas deles. 

E quem vai perder são eleitores. O cientista político João Edisom diz que a demonstração de recusa dos candidatos a cargos eleitorais de participar dos debates, organizados geralmente por veículos de comunicação entidades empresariais, vem numa crescente há alguns anos e confluiu ao cenário das informações falsas (fake news). 

“Quantas pessoas são sendo investigadas por divulgação de fake news, quantos grupos foram descobertos como origem de divulgação dessas informações, geralmente de cunho calunioso? A gente está num cenário que não dá para acreditar em muita coisa, e a política tem catalisado tudo isso”, comenta. 

O controle e o combate das fake news está no centro das atenções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e outros órgãos de fiscalização. Leis foram propostas no Congresso, mas não avançaram a tempo de servir para as eleições de outubro. 

O problema principal, contudo, é mais antigo. João Edisom diz que os debates eleitorais têm sido cada vez mais reduzidos a embates de confronto pessoal entre os candidatos. Ao invés da comparação de ideias, o que ganha espaço são as ofensas diretas ou a parentes, estejam eles ou não envolvidos em investigação. 

“Se comparar, por exemplo, com os debates nos Estados Unidos, tudo é regulado e os candidatos podem ser controlados para evitar que ofensas e calúnias ganhem espaço. O interesse deles são as ideias, saber o que os candidatos dominam e quais propostas deles”, afirmou. 

Debates e alternativas de campanha 

Para o cientista político, a recusa aos debates já é uma forma de atentado à democracia. Diz ele que a apresentação dos candidatos nos eventos de confronto de ideias é um gesto demonstra o interesse em alcançar todas as camadas sociais e mostrar que tem preparo para comando um país. 

A importância deles estaria bem acima das campanhas de ruas e a subida em palanques isoladamente. Nesses atos, os candidatos estariam na frente de um público selecionado já, teoricamente, com a preferência definida. Ou seja, não existe confronto político. 

“Os debates servem para expor as ideias, para o eleitor avaliar diretamente quem tem mais capacidade para conduzir o país. Num cenário hipotético de escolha ente campanha de rua e debates, a preferência deve ser dos debates, são eles que realmente mostram o domínio dos candidatos de assuntos importantes e das ideias para modificá-los”, explica. 

A mesma proporção, diz o cientista, pode ser aplicada às aparições ao vivo em redes sociais. Apesar do tempo prolongado de exposição, são atos controlados para beneficiar o dono dos perfis – com exclusão de comentários opositores e bloqueio de participação que desagradam. 

“Dizer não para debates não é a resposta certa. É o caminho mais confortável para os candidatos, pois eles vão evitar desconfortos. Mas, em sacrifício da democracia e da chance do eleitor comparar o que é melhor”, diz.

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