Que tal falar sobre a origem do universo dentro de um bar?

Cenário propício para a diversão e, em tantas outras vezes, espaço que ambienta a tomada de decisões importantes no âmbito dos negócios e política, poderia muito bem se encaixar em uma discussão sobre ciência.

Essa é a proposta de professores do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso, que realizam nesta quinta-feira (29), a primeira edição do Fisicarium, um evento para tomar cerveja, petiscar e falar sobre física. O bate-papo vai ser no Cervejarium, no Jardim das Américas, a partir das 19 horas.

A palestra terá como tema: “Nosso Universo Maravilhoso”, a ser apresentada pelo professor, Alberto Sanoja, que, em seu currículo, traz experiência na área de Física, com ênfase em Cosmologia. Especificamente, seu interesse se concentra na área da Relatividade Geral, Inflação Cósmica e a Formação de Estruturas Cósmicas.

Iniciativas como esta costumam movimentar as noites de pubs fora do Brasil – onde se discute ciência com mais naturalidade – e mais recentemente tem se difundido por vários centros universitários do Brasil. De acordo com Sanoja, a física está integrada ao nosso cotidiano.

A tecnologia digital, a engenharia genética, aquecimento global, mudanças climáticas e inteligência artificial, por exemplo, são constantemente assuntos noticiados pela TV e internet, comentados por nós, mas que por falta de conhecimento, não fazemos a associação. “Tudo envolve física. Ela precisa estar integrada à dinâmica cultural da sociedade. Seria imprescindível que pudéssemos falar uma linguagem científica, mesmo que fosse básica”.

“As pessoas precisam parar de olhar para a física, como se ela fosse uma disciplina que cursaram na escola e ficou lá atrás, junto. A física é uma perspectiva de vida, uma forma de se conectar com o mundo”. Tal qual um fotógrafo passa a observar cenas do cotidiano com um outro olhar, assim também alguém com o mínimo de conhecimento sobre física, passa a incorporar a ciência à sua vida.

“Se isso for feito além dos muros da universidade, com palestras curtas e divertidas, isso acontecerá com mais naturalidade”, ressalta. Sanoja explica ainda, que esta é uma empreitada, uma reação contra a ideia de que física é coisa chata. Trata-se de uma iniciativa de conectar cientistas e públicos em geral de forma horizontal.

Apaixonado pelo ofício, o professor de física da UFMT destaca que precisamos falar de personalidades da área também. “Não só de Stephen Hawking, mas Max Planck, Werner Heisenberg, James Clerk Maxwell, Ludwig Boltzmann e Niels Bohr, a exemplo. Afinal de contas, se ousarmos dizer que não sabemos quem é Saramago ou Machado de Assis, as pessoas se chocam”, se diverte.

Segundo ele, os físicos clássicos são tão importantes quanto os artistas. “O combustível aqui, também é a criatividade e também, a inovação. Suas teorias são tão importantes quanto obras-primas de grandes nomes como Mozart, Beethoven ou Bach”.

Bastante entusiastas, ele e os outros professores que realizarão palestras no bar, quinzenalmente, também tem idealizado uma programação em ambientes diferentes, com propostas diversas. No entanto, todas com fins de democratizar e popularizar o acesso a conceitos da física.

Já no dia 8 de abril, realizam o evento “Descobrindo o Céu de Cuiabá”, no Instituto de Física da UFMT. A terceira edição segue com palestras, projeções de filmes e observação do céu com telescópios. Na edição mais recente, ao menos 1 mil pessoas passaram por lá.

Professores do Instituto realizam ainda, o evento Fisicarte em que são produzidas obras de arte que ilustram conceitos da física e mantém ainda, um projeto de extensão chamado Física na Nuvem, repleto de anedotas da física e biografia dos grandes cientistas, entre outros.

A propósito, para quem se aventurar na primeira edição do Cervejarium, já pode levar na “bagagem” uma informação bastante valiosa. Afinal, qual a relação entre a cerveja e a física? Bem, pode-se descobrir quais teorias tão vinculadas à produção de cerveja, coisa e tal… “Mas tem uma curiosidade bem legal. O Instituto Niels Bohr, um dos mais importantes centros de ciência do mundo, criado nos anos 1920 em Kopenhagen (Dinamarca), foi fundado com recursos concedidos pela fábrica de cerveja Carlsberg.

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