Que Brasil eles propõem para o futuro?

A esquerda está dividida entre defender Lula e a ausência de propostas. A extrema direta se apresenta como “os salvadora da pátria” com suas frases de efeito

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Com uma campanha curta, de 45 dias, a partir de 16 de agosto, e um horário eleitoral de 30 dias, começando em 31 de agosto -, os pré-candidatos à Presidência da República deveriam aproveitar o período pré-eleitoral para antecipar o que pretendem para o país. No entanto, das pré-candidaturas já colocadas, muito pouco se viu de propostas. E os desafios que o Brasil terá pela frente são gigantescos.

A esquerda está dividida – a maior parte se concentra na defesa de Lula, condenado em segunda instância, preso e, portanto, inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Outra, ainda não disse a que veio. Já a extrema direta se apresenta como “os salvadores da pátria”, com suas frases de efeito e posições radicais.

[featured_paragraph]No entanto, ninguém ainda sabe como irão resolver o rombo na Previdência, como farão a economia tomar impulso, como irão diminuir o desemprego, como irão reduzir o peso da máquina pública nas costas dos contribuintes.[/featured_paragraph]

O Brasil terá de passar por reformas profundas. Do jeito que está, não dá para ir muito longe. Os cidadãos e o setor produtivo se sentem sufocados pelo peso de um Estado gigante, lento e ultrapassado. E extremamente caro.

Os brasileiros mais pobres são os que mais sofrem à mercê de serviços públicos que não funcionam como deveriam. E aqueles que ainda podem, contratam na iniciativa privada o que o setor público teria de oferecer: plano de saúde, escola, aposentadoria. O detalhe: todos pagam, e muito, por todos os serviços que o Estado não presta.

A falta de um debate mais amplo sobre os programas para o país também contribui para o desalento do eleitor. Nas pesquisas de intenção de voto, mais de 30% dos eleitores dizem que não irão votar, irão anular o voto ou votar em branco. O desafio, portanto, é chamar o eleitorado para a discussão sobre o futuro e, para isso, é preciso conhecer o que cada pré-candidato defende.

O pré-candidato Geraldo Alckmin já deixou claro que pretende reestruturar o Estado brasileiro, que é o que o Brasil precisa. Já anunciou que, se eleito, irá enviar para o Congresso quatro reformas: a Reforma Tributária, porque o Estado não pode ser um fardo para os cidadãos e setor produtivo; a Política, porque é inviável um sistema que tem hoje 35 partidos; a da Previdência, com um regime único para todos, sem privilégios; e a da máquina pública, hoje muito maior do que deveria.

Essas quatro reformas são essenciais. O cidadão quer, com todo direito, pagar menos impostos, ter uma aposentadoria justa e garantida, menos partidos políticos e reduzir as despesas com o Estado.

Apresentei, em nome da bancada do PSDB na Câmara, duas propostas. Uma para reduzir o número de deputados federais de 513 para 395, o de senadores, de 81 para 54 e de deputados estaduais, de 1059 para 804. Em quatro anos, seriam economizados perto de R$ 5 bilhões.

Outra, que foi aceita pelo relator do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2019 foi o corte de 10% nas despesas de custeio do Executivo, Legislativo e Judiciário. Custeio são despesas para manter a máquina funcionando – alugueis, diárias, passagens – e, ao reduzi-lo, sobrará mais dinheiro para a prestação de serviços na ponta do sistema, onde está o cidadão.

E tenho percebido muito apoio a essas medidas por parte da população, que quer o Estado trabalhando em benefício dela e não o contrário, como é hoje.

Agora, que a Copa do Mundo já acabou para o Brasil e que estamos a pouco menos de 90 dias das eleições, é mais do que esperado que o debate em torno das propostas tome forma. Frases feitas, bravatas e propostas vazias estão na contramão do que o Brasil precisa a partir do ano que vem.

Deputado Federal por Mato Grosso e Líder do PSDB na Câmara

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