Quatro anos depois de “mamaço”, amamentar em público ainda é tabu?

Os benefícios da amamentação todos conhecem, mas fazer isso fora de casa ainda parece "ofender" algumas pessoas?

(Foto: Mídia Ninja)

Durante todo o mês de agosto, a atenção se volta para a aleitamento materno e as campanhas para a amamentação ganham vez. O benefício tanto para a mãe quanto para o bebê é um dos pontos mais lembrado. Todavia, mesmo com os incentivos, dar de mamar a um bebê ainda é um tabu?

Em 2016, um grupo de mães realizou um “mamaço” em um shopping de Cuiabá. O ato a favor do aleitamento materno reuniu cerca de 50 mulheres. O protesto foi organizado depois que uma das mães disse ter sido abordada ao amamentar no corredor do estabelecimento.

Quatro anos depois, os mesmos olhares atravessados encontram mães que amamentam os filhos, seja pela falta de informação seja pelo preconceito.

O momento é de extrema importância e é para além do alimento, reforça a doula Anne Mathilde. O leite materno ajuda na regulação do sono e tem função psicofisiológica, já que estabelece um maior vínculo entre a mãe e o bebê.

“A amamentação atrela o desenvolvimento motor, trabalha lateralidade, a distância visual e o toque que é muito importante. É preciso garantir condições de oferecer esse momento tão importante para a mãe e para o bebê”, afirma.

A falta de informação e a troca por outro bicos (chupetas e mamadeiras) afetam o bebê ao longo do crescimento. Segundo Anne, as alterações gastrointestinais podem alterar o padrão oral da criança e causar faringite e rinite, por exemplo.

Outras consequências podem ser a obesidade e anorexia a longo prazo.

O apoio e encorajamento, segundo Anne, pode vir da rede de apoio e familiares com palavras que estimulem a amamentação.

Shoppings

A reportagem entrou em contato com os quatros shoppings de Cuiabá.

O shopping Pantanal informou apenas que possui uma sala para amamentação, mas que o local está fechado por força de decreto.

Já a presidente a presidente da Associação dos Lojistas do Shopping 3 Américas, Alcilene Clini, acredita que o espaço é segregador. Por isso, o estabelecimento defende que mães e bebês tenham acesso aos espaços comuns do shopping, incluindo corredores e praça de alimentação.

Os shoppings Goiabeiras e Estação não responderam a reportagem.

(Foto: Divulgação)

Aumento no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeio (UFRJ) apontou o aumento no índice de amamentação no Brasil nos últimos anos.

Os dados revelam que 53% das crianças do país continuam sendo amamentada no primeiro ano de vida. Foram avaliadas 14.505 crianças menores de cinco anos entre fevereiro de 2019 e março de 2020.

Quando comparados aos resultados da mesma pesquisa em 2006, é possível notar o aumento de 23,5 vezes na prevalência de aleitamento materno no primeiro ano de vida.

Especialistas reafirmam a importância do leite materno como alimento exclusivo até os seis meses de vida. A partir dessa idade, e até os dois anos ou mais, a recomendação é que a amamentação seja mantida junto com o consumo de alimentos.

O leite materno faz tão bem para o bebê quanto para as mães. Para as crianças, o alimento fornece os nutrientes necessários e reduz a mortalidade infantil. Nas mães, de acordo com o Ministério da Saúde, o ato reduz a chance de câncer de mama e de ovário.

Amamentação e a covid-19

As dúvidas quanto à amamentação aumentaram durante a pandemia de covid-19. Segundo as autoridades do Ministério da Saúde, a amamentação deve ser mantida no caso de infecção pela mãe.

Não há constatações científicas significativas sobre a transmissão do coronavírus por meio do leite materno, explica o órgão.

Inclusive, as doações de leite materno continuam durante a pandemia. No Hospital Universitário Júlio Müller, o Banco de Leite Humano (BLH) tem se mantido estável. O motivo: as campanhas permanentes e a coleta em domicílio por agendamento.
Segundo a unidade, todas as medidas de biossegurança são tomadas.

Os agendamentos para doação podem ser feitos pelo telefone 3615-7203 e via WhatsApp pelo número 99948-0492.

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