Quanto custa a produção de flores tropicais? Pesquisadoras afirmam: mercado é promissor

Um hectare pode chegar a produzir 40 mil hastes de flor tropical, com investimento inicial de R$ 45 mil e rendimento que pode chegar a R$ 120 por ano

Bastão do Imperador Rosa produzido no campo de pesquisa da Unemat, em Tangará da Serra (Foto: MT Horticultura)

Com um mercado ainda pouco explorado, mas com grande potencial, o plantio de flores tropicais pode ser uma opção de investimento. Essa possibilidade chamou atenção da ciência, que se alinhou com as perspectivas do mercado em Mato Grosso e já traz resultados importantes.

Métodos de plantio, logística, comércio e uma rede de conhecimento e produção torna este mercado cada vez mais estratégico e, com menor margem de perdas para o investidor.

Uma das pessoas que está a frente deste assunto é a Professora Celice Alexandre Silva que  coordena o programa de extensão sobre floricultura da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Tangará da Serra.

O programa MT Horticultura [@mthoticultura] já existe há sete anos e também é voltado para pesquisar e auxiliar produtores rurais da agricultura familiar que se dedicam ao cultivo de hortaliças e frutas.

“Esse programa nasceu pela deficiência do Estado, que na maioria das vezes importa todos esses produtos. Então vimos que esse é um nicho de mercado que deveríamos explorar. Também temos essas produções na universidade, e promovemos dias de campo, feiras, trazemos o produtor para dentro da instituição ou vamos para dentro das suas propriedades tanto para estimular quanto para corrigir algumas falhas na produção”.

Celice explica que a universidade constatou que por semana chegam a Mato Grosso, três carretas de flores que vêm de São Paulo. Elas transportam flores como rosas e crisântemos, entre outras espécies de clima temperado.

Diante dessa constatação, a pesquisadora conta que o programa MT Horticultura passou a ter como objetivo capacitar os produtores rurais e produzir flores tropicais para abastecer o Estado e ainda exportar para outras unidades da Federação.

“Nosso desejo é que as carretas que vêm cheias de flores de São Paulo, voltem para lá com nossas flores tropicais, porque eles não tem lá. Também queremos agregar renda para os produtores. Não falamos para eles: pare de plantar sua alface ou o limão. Pelo contrário, queremos é que além disso, possam também a plantar flores”.

Professora Celice Alexandre Silva é uma das coordenadoras do MT Horticultura, e responsável pelo programa de Flores Tropicais (Foto: arquivo pessoal)

Em breve, o MT Horticultura lançará um aplicativo que será uma plataforma que conectar os produtores de flores tropicais e os consumidores.

Extensão rural

Quem também se dedica à pesquisa de flores tropicais é a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), que possui um campo experimental em Acorizal (a 60 km de Cuiabá).

A pesquisadora da Empaer, Eliane Daltro, pesquisa novas espécies de flores tropicais e folhagens, e garante que este é um mercado de grande potencial dentro do Estado.

A opinião é compartilhada pela professora Celice, para quem Mato Grosso tem todas as condições para ser o maior produtor de flores tropicais do país, já que possui: terra, área, clima e mão de obra disponível.

Pesquisas

Dentre as espécies que estão sendo testadas tanto pela Unemat quanto pela Empaer, a maioria são variedades já cultivadas no Estado, como: Helicônias, Bastão do Imperador, Costus e Flor de Vidro.

Helicônia Bihay Iris Red é uma das espécies de flor tropical estudadas na Unemat – Tangará da Serra (Foto: MT Horticultura)

Na Unemat, entre as espécies que estão sendo estudadas que ainda não possui plantio no Estado, está o Gladíolo.

Já a Empaer pesquisa a produção de Antúrio, que inclusive já está sendo plantado em Sinop e em Várzea Grande. Outra pesquisa, ainda inicial, é em torno das Astromélias.

Gladíolos Azul, flor tropical que está sendo estudada na Unemat (Foto ilustrativa: Pixabay)

As pesquisadoras explicam que essa fase de pesquisa é de suma relevância, para que os produtores não façam investimentos errados e obtenham os melhores índices de produtividade.

Quanto custa plantar flores tropicais?

Celice explica que para plantar um hectare de flores tropicais o investimento inicial se situa em torno de R$ 45 mil. Esse valor leva em consideração um local que já exista o mínimo necessário para a agricultura familiar.

Empaer estuda plantação de Antúrio no campo experimental de Acorizal (Foto: imagem ilustrativa/ Pixabay)

O retorno desse investimento será colhido dentro de dois anos e meio a três anos depois, e o faturamento pode chegar até R$ 120 mil por hectare/ano.

Quanto à produtividade, uma hectare de Helicônia Bihai rende até 40 mil hastes por ano, já a mesma área com Bastão do Imperador rende 39 mil hastes por ano.

Linha de crédito

O gerente regional de desenvolvimento da Sicredi, em Tangará da Serra, Lucyano Pizzatto de Moura, explica que é possível produtores de flores acessarem crédito por meio do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que é recurso subsidiado pelo Governo Federal.

Entre os diferenciais deste recurso está a taxa de juros de 2,5% ao ano, além de condições diferenciadas.

Alpinia Porpurata Jungle, espécie cultivada no campus da Unemat em Tangará da Serra (Foto: MT Horticultura)

“Para Pronaf Investimento, o valor pode chegar até R$ 330 mil, sendo possível acessar a mais crédito com outras finalidades”, explica Lucyano.

O gerente explica que o prazo para pagamento de crédito para custeio pode chegar até dois anos, sem carência. Já o financiamento contratado para investimento pode ser pago em até 10 anos com carência de três anos.

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