Prova em casa: professores e governo divergem sobre avaliação de alunos na pandemia

Sintep afirma que ensino remoto não tem mecanismo que ajude a mensurar a absorção de conteúdo pelos alunos e dificuldades estão crescendo

(Foto: Freepik)

O modelo de aulas remotas pode estar alargando o fosso de aprendizagem entre os estudantes. Essa é a avaliação de sindicatos educacionais da rede pública de ensino em Mato Grosso.  

A absorção de conteúdo tem sido mais aproveitada por alunos com habilidades autodidatas, enquanto aqueles que, já na sala de aula necessitavam de auxílio dos professores, estão evoluindo menos. 

“Nós ainda estamos, na rede estadual, com pouco tempo para fazer uma avaliação desse tipo. Mas os professores das redes municipais, que já estão há mais tempo nesse tipo de aula, apontam que boa parte dos alunos está com muitas dificuldades”, disse professor Valdeir Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). 

Para o professor, não há mecanismos claros que permitam avaliar, neste momento, o nível de aprendizagem dos alunos. É que faltam garantias de que são mesmo os estudantes que vão realizar as tarefas aplicadas. 

A situação colocaria em xeque, por exemplo, as provas que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) manteve no calendário letivo.

“Essa avaliação só será possível na sala de aula. É lá que vão aparecer os alunos que avançaram muito e os que ainda estão na estaca zero. No ensino remoto, que não é à distância, nem sabemos se os alunos estão realmente estudando”, diz o prefessor. 

(Foto: Freepik)

Avaliação 

A Seduc ainda não tem previsão de volta às aulas presenciais e nem confirmou se vai reduzir o calendário letivo deste ano. Afirmou, entretanto, que os alunos serão avaliados duas vezes até o início de 2021 e que o resultado servirá para orientar as atividades das escolas. 

A primeira avaliação iniciou na terça-feira (26) e vai enviar questionário para pais e estudantes, administrado diretamente pelas escolas. Conforme a secretária-adjunta de Gestão Educacional, Rosa Maria Araujo Luzardo, será ponderado na pesquisa tanto o período março a julho, quanto os 30 dias de aula em agosto. 

No primeiro intervalo, segundo Luzardo, materiais foram disponibilizados aos alunos para manter a fluxo de aplicação de conteúdo, sem a participação de professores. Mas esses meses não serão contados no currículo de 2020. 

“Que conhecimento, que aprendizagem esses alunos adquiriram ao longo desse tempo? Acho que temos know-how para fazer essa avaliação. Isso está previsto no plano estratégico que cada escola elaborou, seguindo as diretrizes da Seduc”, disse. 

A segunda avaliação está programada para janeiro. De acordo com secretária-adjunta, essa avaliação servirá para “resgatar” os alunos que não acompanharam o desenvolvimento do currículo. 

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