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Proteger quem nos protege: ação do MP cobra assistência para garantir saúde mental de policiais

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Camilla Zeni

A rotina de trabalho desgastante de agentes da Segurança Pública levou o Ministério Público de Mato Grosso (MPE) a cobrar, na Justiça, a implantação de um programa permanente para avaliação psicológica desses profissionais.

A ação tramita na Vara de Ação Civil Pública e Popular de Cuiabá e é resultado de uma investigação que começou ainda em 2012. Ela envolve agentes das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros e os peritos criminais do Estado.

Responsável pela ação, o promotor de Justiça Alexandre Guedes destacou que os agentes são expostos, diariamente, a situações de pressão, medo e perigo de morte.

Isso, segundo o promotor, causa abalos psicológicos que, se não forem acompanhados, podem gerar um comportamento desequilibrado, com a dependência química ou alcoólica. Em outros casos, pode resultar no suicídio.

Guedes levou à Justiça o depoimento de diversos agentes que, em sua avaliação, comprovam a necessidade do atendimento. Ele também citou casos fatais registrados inclusive em 2019, sendo as vítimas policiais militares e um delegado.

O promotor Alexandre Guedes questiona o descaso do Estado com a saúde mental dos agentes (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Sem estatísticas

No início de janeiro deste ano, o promotor voltou citar um possível descaso do Estado em relação ao assunto. Ele anexou no processo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019.

A publicação apontou que, em 2018, foram registrados 104 casos de suicídio envolvendo policiais militares no Brasil. Mato Grosso não disponibilizou os dados locais para a pesquisa.

Sobre isso, o promotor ponderou: “não se pode presumir a inexistência destes casos em Mato Grosso. Ao contrário, é indicativo da falta de preocupação do Estado para com a qualidade de vida dos seus servidores, bem como a ausência de uma política pública que propicie a segurança psicológica dos profissionais da área de segurança pública”.

Na Justiça, a solicitação do Ministério Público já está conclusa para decisão da juíza Célia Regina Vidotti, responsável pelo caso.

O pedido do promotor é por mais atenção para a saúde mental dos profissionais da Segurança (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

Atendimento por telefone

Presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia de Mato Grosso (Sinpol), Edleusa Mesquita afirma que a Polícia Civil conta com um setor psicossocial. Contudo, o atendimento não é levado aos profissionais do interior do Estado.

A investigadora reforçou que a profissão chega a causar, além de cansaço físico e mental, desestruturação familiar, mas que nenhum acompanhamento periódico é feito pela polícia.

Segundo ela, o setor apenas costuma atuar quando “o profissional já chegou ao fundo do poço”. Nesse caso, aliás, o atendimento é feito por telefone, de acordo com a sindicalista.

A situação acontece porque, segundo Edleuza, o setor psicossocial não é regionalizado e funciona exclusivamente na sede da Polícia Civil, em Cuiabá. Ela contou que, certa vez, uma investigadora solicitou atendimento e ouviu como resposta que “a psicóloga não recebe diária para ir para o interior”.

Um levantamento realizado no dia 15 de janeiro pelo Sinpol apontou que 57 investigadores estariam afastados por licença médica. Pelo mesmo motivo também se afastaram 24 escrivães e seis delegados.

Ainda conforme Edleuza, dos cerca de 1,2 mil investigadores e escrivães aposentados, 30% foi por invalidez psicológica, ou seja, aproximadamente 400 profissionais.

Segundo a presidente, o Sindicato já acionou os diretores da Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública, mas não teve respostas efetivas. Ela espera que, com a ação judicial, o Estado melhore o programa existente.

Sem dinheiro

À Justiça, o procurador do Estado, Wilmer Cysne Prado e Vasconcelos Neto, responsável pela ação, garantiu que o governo não é omisso quanto ao atendimento psicológico dos profissionais.

Segundo afirmou, a Polícia Militar conta com programas e ações voltados à assistência e saúde mental dos agentes. Mesmo reconhecendo que a estrutura não é a ideal, ele justificou que é a melhor, considerando “as possibilidades orçamentárias e legais”.

Dessa forma, segundo ele, ainda que de maneira distinta da esperada pelo Ministério Público, o Estado tem agido para executar políticas públicas na área em questão.

O procurador ainda destacou que Mato Grosso vivencia uma crise financeira, sendo que, desde 2016, estaria com déficit orçamentário superior a R$ 2 bilhões.

Ainda conforme o representante da PGE, esse quadro leva o governo a “voltar os olhos para aqueles que, concretamente, demandem real urgência na realização dos serviços essenciais prestados pelo Estado”.

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