Professores de Sinop aderem à paralisação contra cortes na Educação

Os profissionais da educação tomaram as ruas da Capital do Nortão em busca de sensibilização contra os cortes no orçamento da educação superior anunciado pelo Governo Federal

Foto: Felipe Haupt

Os profissionais da educação tomaram as ruas de Sinop (500 Km de Cuiabá) no fim da tarde desta quarta-feira (15), em adesão à paralisação nacional em protesto contra o corte de recursos da educação, anunciado pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Durante a movimentação que se iniciou na Praça da Bíblia e se estendeu até a Praça Plínio Callegaro, os participantes entoaram falas de protesto e alertaram sobre os riscos do sucateamento do ensino.

De acordo com a presidente do Sintep Sinop, Maria Aparecida Lopes, o corte de recursos é grave.  Para a sindicalista, o Governo Federal estaria fazendo uma retaliação à categoria por revolta do não apoio político.

“Estão usando a nossa educação de maneira partidária e revanchista, mais uma vez despejando os malefícios na população, sem pensar nas consequências de tais atos. Estão querendo retirar 30% da universidade e 50% do Fundeb – recursos específicos para pagamento da folha salarial dos professores da educação básica – e sem isso, inviabiliza um município como Sinop de bancar a educação, nas modalidades que temos hoje e com o número de vagas que temos”, ressaltou Lopes.

A sindicalista lembrou ainda que o município não despende de nenhum valor próprio da administração para realizar o pagamento dos professores. “Caso a gente não consiga reverter, vamos continuar repetidamente a fazer protestos em redes sociais, já que esse meio foi definitivo na eleição do atual presidente. Isso sem falarmos nas outras perdas que iremos receber com a reforma da previdência”, enfatizou.

Já o professor, Maurício Farias Couto, professor da UFMT Campus Sinop, ressaltou que as pesquisas na universidade vão ser duramente prejudicadas.

“Nós corremos o sério risco de perder a possibilidade de fazer os projetos de extensão, pesquisas, estudos e até mesmo de termos a redução de vagas para a formação. Isso é extremamente prejudicial, já que iremos perder nossa função essencial e capacidade de devolver à sociedade nosso serviços. Para além de todos esses prejuízos, a reitora da UFMT ainda veio a público informar que a universidade só tem recursos para funcionamento até julho, ou seja, corremos o sério risco de fechar as portas”, alertou o professor, lembrando que a unidade de Sinop atua com 11 cursos e com mais de 6 mil estudantes.

Para o estudante de 17 anos Rafael Souza, aluno do curso de técnico de automação industrial no IFMT Campus Sinop,  a atitude do Governo Federal mostra a intenção da perpetuação da miséria no país.

“Estamos aqui hoje unidos em busca de garantir um futuro melhor com educação. O corte na educação está tirando a chance de termos um futuro. Sem educação, não iremos conseguir sair do ciclo da pobreza e miséria que nossos governantes querem nos impor”, destaca o estudante, lembrando ainda que os atuais gestores do país já ascenderam aos seus cargos, por isso não se preocupam com a qualificação dos mais humildes, “eles já estão ricos, o pobre que se dane, porque é mais fácil para manipular”.

Secretária de educação ameaça corte de ponto

Por meio de uma nota oficial divulgada logo após o fim do protesto no município, a secretária de educação, Veridiana Pagnot, informou os professores da educação municipal que a falta para o acompanhamento do manifesto seria descontada dos profissionais que aderiram ao movimento.

“Prezados, a Secretaria de Educação, Esporte, Lazer e Cultura, em fase aos comunicados formais e informais sobre o Ato Unificado, realizado no dia, informa que haverá a suspensão do pagamento do dia não trabalhado”, diz trecho do informe.

Foto: Felipe Haupt

 

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorMaluf inspeciona barragens de MT
Próximo artigoVeja Comer & Beber: Mahalo é eleito, mais uma vez, o melhor restaurante da cidade