Professor diz ter avisado autoridades antes de desabamento de casarão

Advogado também já tinha alertado para riscos no Centro Histórico, depois de visitar casarões

Recentemente, a fachada do Casarão da Gráfica Pepê caiu (Foto: Reprodução)

O desabamento do casarão do Século 19, que abrigava a Livraria Pêpe, no Centro Histórico de Cuiabá, já teria sido previsto pelo professor aposentado Pedro Celestino Barros Brito, familiar que leva o mesmo nome do ex-governador de Mato Grosso. O homem, que mora em frente à casa antiga, afirmou que era possível notar que o prédio desabaria a qualquer momento.

Na manhã desta terça-feira (29), quando parte do muro do casarão desabou, Pedro Celestino estava emocionado e indignado com a situação. Para ele, o caso vai somar na conta não apenas das autoridades, como Defesa Civil, Prefeitura de Cuiabá e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas também dos cerca de 50 herdeiros do espaço, que nunca teriam se manifestado para a restauração do prédio.

“Eu estava vendo que o prédio ia desabar a qualquer momento, ainda mais com chuvas”, contou. “Nós telefonamos, a Defesa Civil não tinha gasolina nem carro para vir. O Iphan não fez nada. A Prefeitura não fez nada. A casa tem 50 herdeiros e nenhum fez nada. Então, a casa veio abaixo”, disse, acrescentando que os proprietários do espaço são cuiabanos e têm condições de fazer a restauração.

De acordo com o professor, o muro já estava tombando há alguns dias, sendo possível notar que a parede pendia para o lado da rua. Segundo contou, ele entrou em contato com um dos proprietários há poucos dias, sugerindo, inclusive, que arcaria com os custos da restauração. No entanto, nenhuma resposta foi dada.

Além do professor, o advogado e ex-presidente da Associação Mato-grossense de Letras, Eduardo Mahon, também já havia feito um alerta para a situação dos casarões antigos do Centro Histórico. Segundo ele, um projeto de revitalização do espaço foi entregue ao então governador Pedro Taques (PSDB) em 2017.

[featured_paragraph]“Nós começamos a identificar imóveis em situação de risco, e o primeiro deles foi a Livraria Pêpe. Eu entrei, Ricardo Palmo entrou, e ele é um craque de reconstrução dos centros, tiramos fotografias e ele falou: ‘Olha, isso aqui vai cair’. Ai eu postei no Facebook alertando que, além da Casa de Bem Bem, o próximo imóvel que iria cair em Cuiabá seria a livraria Pêpe”, revelou ao LIVRE.[/featured_paragraph]

Ao saber do novo desabamento, Mahon disse lamentar que o Poder Público não aja para preservar a história da Capital. Ainda segundo ele, os imóveis detalhados no projeto entregues ao governo ainda não teriam passado por restauração. Ele teme que a próxima “vítima” do descaso seja a Casa Orlando, localizado na esquina do Calçadão da Galdino Pimentel com a Rua Sete de Setembro, também no Centro Histórico de Cuiabá.

Outro lado

O LIVRE também procurou o responsável pela Defesa Civil municipal, o coronel Paulo Wolkmer, para saber das alegações feitas pelo professor aposentado Pedro Celestino. À reportagem o coronel afirmou que não recebeu chamados a respeito do casarão, principalmente nas horas que antecederam a queda do imóvel, considerando que o órgão não atua no final de semana.

Wolkmer também garantiu que nenhum dos veículos da Defesa Civil teriam ficado sem combustível para atender a alguma ocorrência. Segundo o coronel, ele esteve pessoalmente no lugar do desabamento na manhã de ontem e conversou com o professor aposentado, que teria informado que pode ter se confundido ao mencionar a data ou telefone para o qual ligou.

Por fim, o coronel explicou que a Defesa Civil não faz serviços iniciais em situações como a vivenciada. Segundo ele, o correto, em caso de desabamento, é que o chamado seja feito para o Corpo de Bombeiros. Já a Defesa Civil deverá atuar na segunda parte da ocorrência, comparecendo no espaço junto de representantes do Iphan (quando for o caso) e identificando novos riscos.

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