O Brasil registrou recentemente diversos casos de intoxicação por metanol — substância tóxica que pode estar presente em bebidas alcoólicas adulteradas. Embora a maioria das notificações tenha ocorrido em São Paulo, o Mato Grosso também é considerado um estado vulnerável a esse tipo de contaminação, devido à circulação de bebidas falsificadas e sem procedência.
Para entender os riscos, O LIVRE conversou com o professor doutor Ailton Terezo, professor do Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso.
Dois álcoois, mas reações diferentes
Segundo Terezo, tanto o etanol (presente em bebidas comuns) quanto o metanol (usado em combustíveis e solventes) são metabolizados no organismo por enzimas semelhantes — mas os resultados são completamente distintos.
“São dois álcoois, e ambos são metabolizados por enzimas. Mas o etanol é transformado em acetaldeído e, depois, em ácido acético, que é o mesmo ácido presente no vinagre — inofensivo ao corpo humano”, explicou o professor.
Quando o veneno entra em ação
O problema surge quando o corpo tenta processar o metanol. Nesse caso, o álcool é oxidado a formaldeído e, em seguida, convertido em ácido fórmico — composto extremamente tóxico.
“Esse ácido traz vários problemas ao organismo. Dependendo da dose, pode causar cegueira. A estimativa é que cerca de 10 mililitros de metanol sejam suficientes para danificar o nervo óptico, levando à cegueira permanente”, detalhou Ailton.
Duas colheres podem ser fatais
O risco de morte também é alto.
“Se a ingestão passar para 30 mililitros — o equivalente a duas colheres de sopa — pode ser fatal”, alertou o professor.
Ele explica ainda que o metanol e o etanol são sensorialmente parecidos, o que torna a identificação ainda mais difícil para o consumidor.
“Eles têm o mesmo sabor, cheiro e aparência, porque ambos são álcoois. É impossível distinguir a olho nu ou pelo paladar”, completou.
Como se prevenir
De acordo com o Procon SP, a prevenção passa pelo consumo consciente e pela desconfiança de bebidas muito baratas ou vendidas informalmente.
Casos de intoxicação devem ser tratados como emergência médica, com atendimento imediato.
O Ministério da Saúde reforça que o atendimento rápido é essencial para evitar sequelas ou óbitos.





