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Produção orgânica e a um preço mais em conta: conheça a Horta Terra Estrela

Foto de Gabriela de Lima
Gabriela de Lima

A facilidade de mexer com plantas e a vontade de trabalhar com produção de orgânicos levaram Egon Nord à faculdade de Agronomia. Depois de uma especialização, um mestrado e a dificuldade no mercado de trabalho na área em que ele gosta de atuar – os orgânicos -, o empreendedorismo sustentável apareceu como solução.

Assim, há sete anos, ele começou a comercializar produtos da Horta Terra Estrela. Durante esse tempo, foi fazendo experimentos para descobrir o que é mais viável de se produzir e quais os nichos de mercado e necessidades da região.

“Por isso, nós focamos mais nas folhosas. Quando começamos a produzir, não tinha ninguém de Mato Grosso fornecendo orgânicos para os mercados daqui. Na época, só o Big Lar tinha orgânicos e algumas coisinhas no Extra, mas só alguns itens de legumes, vindos de São Paulo e Brasília. Eram coisas mais resistentes, menos perecíveis, como cebola, pepino, inhame. Nada de folhas”, conta.

Depois de entender o que as pessoas procuravam, Nord começou a investir na produção de folhas na horta, que hoje tem dois hectares e fica dentro da cidade. Dente as opções, a couve é a mais procurada, devido à popularização dos sucos detox, verdes e de clorofila, sempre associados a informação de que a folha precisa ser orgânica. A Terra Estrela também produz alface, cebolinha, rúcula, salsa, coentro, hortelã, manjericão, chicória escarola e espinafre.

Certificação

Segundo Nord, para receber o título de produtor orgânico, é preciso atender às normas de produção orgânica e ter certificação da empresa que fiscaliza. Quando cumpridas as normas, o produtor recebe o selo do Ministério da Agricultura.

A principal diferença entre um produto orgânico de um não orgânico, é que não se usa agrotóxicos em sua produção. Outro ponto crucial é a adubação natural, ao invés de química. A planta absorve toda a adubação e a química, por ser tóxica, apresenta risco de contaminação para o ser humano. Além disso, a produção orgânica, obrigatoriamente, precisa atender uma série de requisitos que tornam o ambiente sustentável. São regras seguidas à risca.

“As pessoas chegam aos orgânicos, primeiramente, pensando em saúde. O consumidor de orgânico sabe que ele está fazendo um bem não só para si, mas também para a saúde do produtor rural e do meio ambiente”, explica o agrônomo.

Fomento à agricultura familiar

A Horta Terra Estrela também faz o trabalho de fomentar a agricultura orgânica no Estado, através do compartilhamento de conhecimento à medida que outros produtores os procuram. Muitos dos que são ajudados com orientações sobre como se certificar, por exemplo, acabam virando parceiros da Terra Estrela. Pela distância entre esses produtores e as cidades, a distribuição da produção se complica.

“Nós fazemos essa ponte. Trabalhamos com 12 produtores certificados na região da Grande Cuiabá: Poconé, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio. Eles nos entregam cenoura, rabanete, abobrinha, banana da terra, por exemplo, e nós fazemos a seleção, embalagem e distribuição”.

Ao todo, 15 pessoas trabalham na Horta Terra Estrela, entre os setores administrativo, produção, embalagem e entrega. Tudo o que é produzido por eles está à venda nos supermercados da rede Big Lar, mas quem quiser ir até a horta comprar pessoalmente, também pode. Além do diferencial de preço – mais baixo que o comum para orgânicos -, o comprador tem a oportunidade de acompanhar a colheita do seu produto, interagir com o produtor, conhecer o pessoal da horta e saber de onde vem o alimento que compra.

Em março, foi aberto um empório conjunto à horta. O foco é trazer itens de outros estados, que não se encontra em qualquer lugar, como farinhas integrais, castanha, geleias e milho de pipoca orgânico.

A Horta Terra Estrela funciona de segunda à sexta, das 7h às 11h e das 14h às 17h. No sábado, só pela manhã, das 7h às 11h. O contato pode ser pelo telefone (65) 9 9981-2611 ou pelo e-mail hortaterraestrela@gmail.com.

Educação Ambiental: visita guiada

Outro trabalho realizado pelo pessoal da horta é a educação ambiental para crianças das escolas e comunidade.

“Nós consideramos importante trazer esse conhecimento. A forma que achamos de fazer isso é trabalhando com as crianças, para elas já crescerem com essas informações da produção sustentável”.

Eles oferecem pacotes de visitação para as escolas. A visita guiada na horta dura cerca de duas horas e meia. São explicadas cada etapa de produção, adubação, composto orgânico, semeadura e preparação do solo. É possível também incluir um lanche orgânico ou as crianças podem levar de casa.

O enfoque das visitas depende da faixa etária dos visitantes. Para as crianças pequenas, o trabalho é mais vivencial. Elas sentem o cheiro, o gosto, veem uma cenoura ser colhida, por exemplo.

Se o público for mais velho, como ensino médio ou já na universidade, o teor da visita depende da discussão que os professores responsáveis querem propor, vai desde apresentar a produção orgânica até falar sobre o empreendedorismo sustentável.

“A unidade de produção orgânica não é só um centro de produção, mas também de conhecimento, de discussão da sustentabilidade e isso é importante para os produtores”, finaliza.

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26 de abril de 2026 23:24