Problema antigo: o que Cuiabá tem que fazer para a saúde pública funcionar?

Para o professor da UFMT, Reinaldo Gaspar, a questão é que os gestores investem menos onde seria mais necessário

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A pandemia deixou claro que o investimento no setor público de saúde deve ser prioridade. O problema de um sistema precário, porém, não começou em 2020. E para especialistas, ele existe porque a lógica aplicada pelos gestores públicos está invertida. 

Assim como em outros municípios, Cuiabá aposta nos atendimentos de média e alta complexidades e deixa a atenção básica ao canto, nível do Sistema Único de Saúde (SUS) que realmente resolveria a crise. 

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Reinaldo Gaspar, afirma que historicamente o investimento do município enfoca nas áreas de complicações de saúde. 

“Isso não só um problema de Cuiabá, no Brasil é dada a atenção ao financiamento de serviços dos especialistas em várias áreas, cardiologia, fisioterapia, etc. Mas falta financiamento para o especialista em medicina da família, que é aquele que orienta à prevenção das doenças”, afirma. 

De trás pra frente 

Essa lógica de saúde – do mais complexo para o mais o simples – causa reverso em sentido contrário na demanda. Governos investem em especialistas e equipamentos com custo elevados, mas com atendimento que demora para chegar às unidades de saúde chamadas “portas abertas”. 

Consequentemente, um paciente com fadiga, que poderia ser remediado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou Policlínica acaba dando entrada para a contabilidade do SUS, já como o problema cardíaco agravado. 

Esse fluxo de atendimento reverso pode ser ilustrado pelo início da pandemia, quando houve investimentos em leitos de enfermaria e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para atender pacientes da covid-19 já na fase avançada da doença, com orientação assinada pelo Ministério da Saúde. 

O que dá para fazer em quatro anos? 

O professor Reinaldo Gaspar afirma que o município pode tomar decisões para colocar o SUS de volta nos eixos. O primeiro passo seria aumentar os investimentos na atenção básica. 

Esse nível de serviços inclui os especialistas em medicina da família, agentes comunitários e de endemias, colocados na linha de frente do combate ao agravamento de doenças populacional.  

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Conforme especialistas ouvidos pelo LIVRE nesses sete meses de pandemia, os agentes de saúde são os servidores mais apropriados, por exemplo, para o mapeamento do contágio. Eles conhecem suas áreas de trabalho com mais acuidade e têm contato direto com os moradores. 

“É preciso reestruturar a rede SUS. O SUS funciona e é um dos melhores modelos de saúde público no mundo. O problema é que os investimentos estão indo para os lugares que não são prioridade. Do jeito que está só vamos aumentar os gastos com saúde sem ver quase nenhum resultado”, pontua. 

O passo seguinte, afirma o especialista, seria investir na qualificação de profissionais na atenção primária e firmar contratos para melhoria desse nó da rede SUS. 

Contudo, isso tudo depende da aprovação de planos de saúde para ser seguido por gestores sucessivos.

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