Prisão de Arcanjo é “passaporte eleitoral” para delegado, diz defesa do bicheiro

Zaid Arbid alega que delegado Flávio Stringetta estaria querendo palanque, com olho na próxima eleição

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O ex-comendador João Arcanjo Ribeiro estaria sendo usado, pela quarta vez, como “passaporte eleitoral” – dessa vez pelo delegado Flávio Henrique Stringueta, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). É o que alega seu advogado, Zaid Arbid, no pedido de liberdade feito à Justiça, na última sexta-feira (14).

Arcanjo está preso desde o dia 29 de maio, alvo da Operação Mantus, deflagrada pela GCCO. Stringueta foi, durante dias, o porta-voz da operação. Para o advogado, o delegado, “no sonho de uma cadeira no Parlamento Federal, chegou ao extremo de arrumar palanque popular no dia do interrogatório de João Arcanjo Ribeiro”.

O advogado cita, como fundamento, o episódio em que Stringueta disse considerar uma “vergonha” o fato de João Arcanjo não ter tido o cabelo raspado na Penitenciária Central do Estado.

“A vaidade eleitoral desta autoridade está a embaraçá-la até quando passa por um refrigerador e este se abre: rapidamente se compõe, pensando ser flash ou holofote! Sinal dos Tempos! Sinal da política”, disse o advogado.

De olho no pleito

Ao pedir a liberdade de seu cliente, Zaid afirmou que o inquérito policial que indiciou João Arcanjo não teria revelações novas e que seu nome teria sido levantado pela polícia em razão de seu histórico. O ex-comendador ficou preso por 15 anos, condenado por homicídio, lavagem de dinheiro, contravenção penal. Desde fevereiro de 2018, ele cumpria pena em regime semiaberto.

“Lamenta-se que, mais uma vez, o cidadão João Arcanjo Ribeiro esteja sendo utilizado e justicializado como passaporte eleitoral”, escreveu.

Segundo ele, Pedro Taques (PSDB) foi o primeiro a se valer do nome de Arcanjo. Quando procurador da República, Taques conquistou a prisão do ex-comendador e, com a publicidade do feito, foi eleito senador e, depois, governador de Mato Grosso.

O ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva também teria tentado fazer carreira política logo após a prisão de Arcanjo. Conforme a defesa, ele fez “implacável perseguição pessoal”, que resultou, inclusive, na sua suspeição quando magistrado.

Por fim, Zaid cita a senadora e ex-juíza Selma Arruda (PSL). Ele afirma que ela teria se lançado à carreira política publicitando as ações da Operação Arrego, quando decretou a prisão de Arcanjo e capitaneou sua transferência para um presídio federal de segurança máxima. Lá, Arcanjo ficou preso por mais de 10 anos.

Outro lado

Ao LIVRE, o delegado Flávio Stringueta lembrou que as investigações contra João Arcanjo tiveram início ainda em 2017, quando ele não fazia parte da equipe da Gerência de Combate ao Crime Organizado. “Das investigações eu participei muito pouco”, informou.

Stringueta destacou, ainda, que seria “comum” as defesas atacarem os investigadores quando não há argumentos contra as operações.

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