Prints de WhatsApp mostram ameaças de Malouf a Galindo

Empresário delatou que ex-secretário teria cobrado R$ 3 milhões para blindá-lo, mas conversas mostram o contrário

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Trechos de conversa entre o empresário Alan Malouf e o ex-secretário de Segurança de Mato Grosso, Fábio Galindo, podem colocar em xeque parte do acordo de colaboração premiada firmado por Malouf com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a respeito de um esquema de desvio de recursos da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

As conversas no WhatsApp (confira no fim da matéria) revelam que Alan Malouf procurou pelo ex-secretário para pedir ajuda. Ele temia o curso das investigações, que poderiam levá-lo à prisão. O que, de fato, aconteceu. Malouf acabou preso por 10 dias, entre os dias 14 e 24 de dezembro de 2016, alvo da terceira fase da Operação Rêmora, denominada Grão Vizir.

“Meu amigo. Por favor. Eu preciso da sua ajuda. Vou pedir pela última vez. Por favor, me ajuda. O clima está muito pesado aqui. Você sabe o que estou passando”, escreveu o empresário.

Por sua vez, Fábio Galindo teria respondido que sabia que o momento não deveria ser fácil. Disse ainda que ficou surpreso com o escândalo da Seduc, mas pediu para não ser incluído na história.

O empresário, que, aparentemente, já tinha ouvido uma resposta negativa de Galindo em outra ocasião, seguiu insistindo, dizendo-lhe que tinha família, que tinha medo de ser preso e pediu que o ex-secretário usasse sua influência para interceder a seu favor.

Alan Malouf ainda lembrou ao ex-secretário que eram amigos, que viviam celebrando juntos e que afirma que ele o teria abandonado.

“Imagino que não seja fácil. Como amigo você tem minha solidariedade. mas com todo respeito, nunca imaginei que você fosse se meter em uma confusão dessas, com corrupção, Seduc, sacanagem. Seu discurso sempre foi “do bem de MT”. Agora não venha me cobrar lealdade em coisa errada que você fez. Separe as coisas. Vá cobrar lealdade dos seus comparsas”, respondeu Galindo.

Em seguida, é possível notar que Alan Malouf ficou irritado com a recusa do ex-secretário. Por isso, ele emenda: “Olha, vou ser bem sincero com você. Vou f* todo mundo. Todo mundo. Inclusive você”.

O empresário ainda diz ter sido instruído por seu advogado, Huendel Rolim, de que “mais vale a versão do que os fatos”. O empresário ainda emenda a frase, afirmando: “até tudo se resolver, vocês vão passar pelo que tô passando”.

Delação em xeque

Os trechos acima, retirados de prints de uma conversa via Whatsapp, questionam o anexo 15 da delação premiada firmada por Alan Malouf. Nessa parte, ele relata à procuradoria sobre uma suposta “cobrança de Fábio Galindo, de R$ 3 milhões, para blindar Malouf” no MPE e na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

De acordo com Malouf, o ex-secretário teria cobrado R$ 3 milhões para usar seus “poderes” no intuito de blindá-lo junto ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). Isso porque ele seria bastante amigo do promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro, que coordenava as ações do Gaeco.

Galindo também deveria agir junto à Selma Arruda, que ainda era juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Pelo caso, ela condenou Alan Malouf a 11 anos de prisão.

Depois que a delação de Alan Malouf veio à tona, tanto Fábio Galindo quanto Selma Arruda e o promotor Marco Aurélio negaram as acusações.

Nesta segunda-feira (27), o LIVRE também divulgou, em primeira mão, um depoimento prestado pelo ex-secretário de Fazenda, Paulo Brustolin, sobre as acusações feitas por Malouf, relacionadas a Galindo. Em um cartório de São Paulo, o ex-Sefaz desmentiu as informações do empresário e afirmou estar à disposição da justiça para ratificar sua declaração.

Confira o que o ex-secretário disse clicando aqui.

Outro lado

O LIVRE buscou contato com a defesa do empresário Alan Malouf, o advogado Huendel Rolim, que chegou a ser citado na conversa.

Confira a nota na íntegra:

1. Não reconhece a presente conversa, sequer sabendo donde a mesma “apareceu”, causando estranheza a defesa;
2. Alan esclarece que não juntou em acordo de Colaboração Premiada nenhum print de conversas realizadas com o Sr. Fábio Galindo e desconhece que essas “conversas” façam parte de algum procedimento criminal;
3. Reitera, por fim, que possuía um relacionamento de muita proximidade com Sr. Fábio Galindo, conforme já relatado perante a PGR e que continua prestando os devidos esclarecimentos às autoridades constituídas, sobre todos os termos e pontos de seu acordo de colaboração premiada, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

Confira os prints abaixo:

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