Primo de Alan Malouf contesta trecho de delação e nega ameaça de Brustolin

Mário Mansur Bumlai Junior disse que foi dele a ideia de promover um encontro entre Malouf e Brustolin, em dezembro de 2017, e que isso serviu para eles "fazerem as pazes"

Empresário Alan Malouf, delator na Rêmora (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O empresário Mário Mansur Bumlai Junior, primo de Alan Malouf, contestou em declaração registrada em cartório trecho da delação que o também empresário firmou junto ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo Bumlai, o ex-secretário de Estado de Fazenda, Paulo Brustolin, nunca ameaçou Malouf, como consta em seus depoimentos.

Bumlai reconheceu ter promovido um encontro entre os dois, mas contestou a versão do primo o que teria ocorrido nessa ocasião. O documento com a declaração foi registrado no Cartório do 7º Ofício de Cuiabá, no dia 8 de novembro de 2018, logo após a retirada do sigilo da delação do empresário.

“Quero frisar que, durante todo o tempo que permanecemos no veículo, não presenciei nenhuma intimidação do sr. Paulo Brustolin em relação a Alan Malouf ou sua família. Jamais vi o Paulo fazer qualquer ameaça a Alan. Pelo contrário, o que sempre existiu e o que vi no dia do referido encontro foi uma relação de respeito entre ambos”, diz trecho do documento.

Alan Malouf é apontado como um dos chefes do esquema de fraude em licitação que teria desviado cerca de R$ 56 milhões em recursos públicos da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) – inicialmente destinados a obras de reforma e construção de escolas – para pagar dívidas da campanha de 2014 do ex-governador Pedro Taques (PSDB).

Conforme o próprio empresário afirmou em delação, parte do dinheiro também servia para pagar “salários extras” para alguns dos secretários da gestão tucana, entre eles, Paulo Brustolin.

O encontro

Na declaração registrada em cartório, Bumlai disse que promoveu o encontro sem o conhecimento de Malouf e Brustolin. Agiu assim porque a amizade entre eles estava “estremecida” e queria ajudar em uma reconciliação.

Para isso, foi até um terreno na região do Sucuri, em Cuiabá, onde será construído um complexo hospitalar. Ainda conforme o documento, o empresário sabia que Brustolin estaria no local. O ex-secretário teria sido chamado para trabalhar como diretor do empreendimento e estaria lá para  conhecer o terreno.

Acompanhado de Malouf, Bumlai então pediu que Brustolin entrasse no carro. O ex-secretário teria ficado surpreso com a situação e indagado o motivo da presença deles. Bumlai, então, teria revelado sua intenção de promover uma reconciliação.

Na declaração registrada em cartório, Bumlai afirmou que Malouf e Brustolin conversaram por aproximadamente 30 minutos sobre diversos assuntos, entre eles, a situação do Estado.

“O que houve foi uma conversa sobre a amizade que existia e também da situação do Estado naquele momento”, diz trecho do documento, que ressalta ainda que os dois falavam “muito baixo, reservadamente, sem que percebesse nada”.

Na versão de Alan Maouf, Paulo Brustolin o questionou sobre os motivos de firmar um acordo de delação premiada. O encontro teria ocorrido no dia 9 de dezembro de 2017, depois da deflagração da Operação Rêmora, que desmantelou o esquema de desvios na Seduc.

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