Presos destróem cadeia pública e passam o final de semana em motim

O final de semana foi de muita tensão e trabalho para os agentes de Cadeia Pública de Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá)

(Divulgação)

O final de semana foi de muita tensão e trabalho para os agentes de Cadeia Pública de Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá), após um motim iniciado por presidiários ligados a facções criminossas.

Foi pela manhã de sábado (19) que os policiais penais da Cadeia Pública perceberam que as celas 11 e 12 da penitenciária estavam com forte odor de bebida artesanal e que estava acontecendo uma disputa de box entre os detentos.

Ao longo do dia, os agentes penitenciários ordenaram várias vezes para que os presidiários parassem com as brigas, mas perceberam que estas foram se repetindo até a noite.

Às 22 horas, os agentes ouviram gritos e “bateção” de grades. Rapidamente os policiais penais de plantão constataram que se tratava de um início de motim, concentrado entre as celas 7, 8, 9, 10, 11 e 12.

O diretor da unidade prisional, José Ronaldo Frutuoso, foi acionado imediatamente.

Início de motim

Os detentos envolvidos no motim, começaram a bater as grades e bigornas de todas as celas que estavam amotinadas. Em seguida, amarraram colchões, toalhas e lençóis na frente das grades das celas, para vedar o acesso e a visibilidade dos agentes e policiais.

Enquanto os agentes ainda não agiam, os detentos os xingavam e ameaçavam de morte, gritando que “matariam mais um agente, um por um, e que eles eram do Comando Vermelho”.

Visando a impedir a ação dos presidiários e a depredação da penitenciária, os policiais penais começaram o primeiro combate ao motim.

Os policiais atiraram com munição antimotim, calibre 12, e dispararam espargidores de gás de pimenta.

Enquanto isso, reforços eram acionados. Da região oeste, a superintende Simone Pietschi enviou equipes para apoio tático operacional das unidades de Sorriso e Sinop (400 e 500 km de Cuiabá), que chegaram às 00h e 1h30 do domingo (20).

Com todas as equipes à postos, houve uma reunião entre o diretor da penitenciária de Lucas do Rio Verde, José Ronaldo Frutuoso, o diretor da penitenciária de Sinop, Roni de Souza, e o coordenador do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) de Sinop, Marcelo Lopes Figueiredo.

Os três analisaram a situação e as opções e decidiram entrar na penitenciária e retomar as celas amotinadas.

Reação

Os detentos ignoraram todas as ordem dos agentes e policiais e seguiram com o motim dentro das alas. As equipes táticas entraram e encontraram as grades amarradas e travadas por roupas e colchões.

Enquanto as equipes de contenção tentavam entrar, os presidiários arremessaram objetos, pedaços de concreto retirados da estrutura da unidade, garrafas pet, água quente, chinelos e restos de comida.

Em reação à hostilidade dos detentos, os policiais penais começaram a atirar com munições não letais, jogar granadas de efeito moral, disparar spray de pimenta e utilizar o bastão, chamado de tonfa.

O confronto foi intenso, mas os agentes conseguiram controlar a situação e todos os presos do pavilhão foram retirados das celas e encaminhados ao solário da penitenciária, onde foram revistados. Enquanto isso, as avarias nas celas foram averiguadas.

Destruição e comando

As equipes perceberam que os detentos que ofereceram maior resistência foram os da cela 11, onde também foram constatados danos à estrutura, como avaria na porta, buracos interligando a outras celas e destruição de três câmeras, colchões e uniformes. Na cela 9, a coluna central foi danificada.

14 detentos foram identificados como líderes do motim e deverão responder por isso. Eles estavam dando ordens aos demais.

Sete presidiários precisaram de atendimento médico após o fim da rebelião.

Após o fim da revista de todos os detentos e da vistoria em todas as celas, todos foram realocados em suas celas e a intervenção foi encerrada por volta das 6 horas do domingo (20).

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