Presidente interina da Bolívia promete eleições o mais rápido possível

Ela também quer revogar a decisão constitucional que permitiu a Evo Morales disputar o quarto mandato

A autoproclamada presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, anunciou nesta quarta-feira (13) que, além de convocar eleições, o objetivo de seu governo será a revogação da decisão constitucional que permitiu a Evo Morales disputar o quarto mandato.

Jeanine disse que será garantido um processo eleitoral limpo e transparente, no qual “todos os cidadãos que atendem aos requisitos constitucionais” possam participar.

A presidente interina pediu a todos os funcionários do Estado que retornem imediatamente às suas funções, para que o país comece a voltar à normalidade.

Ela afirmou que assumiu a Presidência da Bolívia após consultar o Tribunal Constitucional Plurinacional e depois que as Forças Armadas e a Polícia concordaram com o procedimento.

“Assumo os símbolos presidenciais como a expressão máxima da unidade dos bolivianos, com a única vontade de regenerar democraticamente o país”, afirmou, sustentando que seu mandato é totalmente legal.

Cúpula militar removida

Também na quarta, a presidente interina mudou a cúpula militar e indicou os novos comandantes das Forças Armadas bolivianas.

Em cerimônia realizada no Palácio Queimado – sede do governo boliviano que Morales não usava – ela apresentou o general de Exército Carlos Orellana como novo comandante das Forças Armadas, e os novos chefes do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

Câmara e Senado avaliam situação

A Câmara dos Deputados iniciou, na tarde de quarta-feira, sessão especial solicitada pela oposição para tratar projetos referentes à situação institucional na Bolívia.

A sessão é realizada a pedido de vários blocos partidários oposicionistas, que afirmam repudiar o que consideram “golpe de Estado” e defendem “uma saída democrática” para a situação do país.

O Senado também abriu uma sessão especial para debater o tema, com o quórum justo.

Na tarça (12), Jeanine Áñez, da Unidade Democrática, declarou-se presidente da Bolívia, em uma sessão em que não havia quórunm, porque a bancada do MAS, partido liderado pelo ex-presidente Evo Morales, não estiava presente no Congresso.

Jeanine assumiu a Presidência da Bolívia após as renúncias de Evo Morales e do vice-presidente, Álvaro García Linera, que seguiram para o asilo político no México.

Também renunciaram aos cargos os presidentes do Senado e da Câmara e o primeiro vice-presidente do Senado.

Até então, Jeanine Áñez era a segunda vice-presidente da Casa.

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