Prefeitos entram em conflito por “compartilhamento” de leitos de UTI

Zé do Pátio (Rondonópolis) chamou Léo Bortolin (Primavera do Leste) de irresponsável por manter comércio aberto durante a pandemia

Imagem Ilustrativa (Foto: Freepik)

Em Mato Grosso, não são apenas o prefeito da Capital, Emanuel Pinheiro (MDB), e o governador Mauro Mendes (DEM) que brigam publicamente por conta dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) destinados a pacientes da covid-19. A disputa chegou também ao interior.

Nesta quarta-feira (3), os prefeitos de Rondonópolis (a 216 km de Cuiabá), Zé Carlos do Pátio (SD), e de Primavera do Leste (a 243 km da Capital), Leonardo Bortolin (MDB), protagonizaram um bate-boca público pelo mesmo motivo.

Pátio disse que os leitos de UTI de sua cidade estão lotados por conta da “irresponsabilidade” de prefeitos das cidades vizinhas e citou como exemplo Primavera do Leste.

Bortolin não gostou e respondeu que as declarações do colega seriam “levianas”.

“Os municípios vizinhos não estão dando o respaldo que Rondonópolis precisaria. Só de Primavera, fora os que já morreram aqui, nós temos quatro pacientes ocupando os leitos de UTI”, afirmou Pátio em entrevista coletiva.

O prefeito de Rondonópolis disse ainda que Bortolin “abriu tudo” – se referindo às atividades econômicas de Primavera do Leste – e sugeriu que mais pessoas tenham sido contaminada com o coronavírus, por conta disso.

“E nós não podemos deixar de amparar vidas”.

Prefeito de Rondonópolis, Zé do Pátio (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Afirmações levianas”

Léo Bortolin também se manifestou publicamente sobre as declarações de Pátio. Além de chamá-las de “levianas”, disse que “demonstram o desconhecimento da própria rede operacionalizada em seu município”.

O prefeito ainda negou que existam quatro pacientes de Primavera internados e Rondonópolis.

“Ora bolas, por que ele disse isso? Acredito que seja porque é muito mais fácil jogar culpa nos outros, do que assumir as falhas da própria omissão”.

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Sobre a reabertura do comércio, Bortolin defendeu a medida, dizendo que ela evitou  prejuízo de vidas para a cidade, diferente do que ocorreu em Rondonópolis, que desde o início da pandemia adotou regras de distanciamento social de forma taxativa.

“Talvez, toda essas afirmações colocadas de maneira descontrolada [por Zé Carlos do Pátio] sejam porque, em Rondonópolis, tenham ocorrido 9 mortes e, em Primavera, nenhuma. Mesmo com as medidas que foram tomadas, elas não foram evitadas e muitos pais de família estão passando fome”, criticou.

Prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Prefeitura de Rondonópolis se justifica

Depois de toda a confusão, a Prefeitura de Rondonópolis resolveu se manifestar por meio uma nota, enviada à imprensa já na noite desta quarta-feira.

No texto, a Prefeitura esclarece que o pronunciamento do prefeito Zé do Pátio, em conjunto com o Comitê de Gestão de Crise, ocorreu por conta da “preocupação com a ocupação dos leitos, em virtude do avanço do coronavírus”.

“Até esta terça-feira (2), já atingia mais de 63% dos leitos privados e 40% das vagas de UTIs públicas”, dizia em trecho.

A nota apontou ainda que Rondonópolis, por ser pólo regional, atende e dá suporte a toda região Sudeste de Mato Grosso. Isso significa listar 18 cidades e 600 mil habitantes que, em casos graves, dependem da estrutura de saúde do município.

“Por isso, a preocupação com o crescimento de casos da doença e da necessidade de mais estrutura de leitos, de forma a evitar um colapso e garantir atendimento médico a todos”.

A Prefeitura informou ainda que são 20 leitos públicos na cidade, dos quais oito estão ocupados.

“Na rede privada são 11 leitos, com quatro ocupados. Quantos aos leitos de enfermaria na rede pública, são 59 e estão com 13 ocupados. Na rede privada, são 29 sendo que 15 estão ocupados”.

Em relação ao número de pacientes de Primavera do Leste, a Prefeitura de Rondonópolis enfatizou que são quatro casos de internação: dois no Hospital Regional, um na Santa Casa e um que recebeu alta recentemente.

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