Prefeitos em MT vão seguir a própria “percepção” para adotar lockdown

Presidente da AMM diz que medidas mais severas já estão sendo adotadas, antes mesmo de recomendações da secretaria estadual de Saúde

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Prefeitos no interior de Mato Grosso terão regras próprias para decidir se adotam o bloqueio total dos municípios. Os eventuais decretos não terão base uma base comum de metodologia de saúde e as justificativas para a medida podem variar de uma cidade para outra. 

Já se sabe, por exemplo, que não há previsão – pelo menos para os próximos dias – de seguir a recomendação do secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo.  

O consenso entre os prefeitos foi declarado pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga. 

Segundo ele, os municípios não seguirão a metodologia adotada pelo governo: declarar lockdown quando a taxa de ocupação dos leitos em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) atingir 60%.

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Na verdade, o bloqueio poderá ser declarado até em momento anterior a esse estágio, mas isso vai depender da “percepção” de cada gestor. 

“Se ele sentir que houve aumento grande, de uma hora para outra, de casos graves, de morte, ele pode chamar o lockdown. Não vamos esperar chegar à ocupação de 60% dos leitos de UTI. Não vamos esperar morrer tanta gente”, disse Neurilan. 

A adoção de indicativas próprios reflete o conflito entre os municípios e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) desde o início da pandemia. Conforme Neurilan Fraga, a Pasta não tem auxiliado as secretarias municipais na condução de medidas de combate ao contágio. 

“Ele não atende os prefeitos. Criticou quando os municípios adotaram medidas mais duras no início da pandemia e depois que os municípios flexibilizaram, criticou de novo. A situação de Mato Grosso só não está pior causa das ações dos municípios desde março”, disse. 

Controvérsias 

Secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Conforme o presidente da AMM, os prefeitos aguardam apuração de órgãos fiscalizadores sobre o número de leitos exclusivos para pacientes da covid-19 disponíveis no Estado. 

O pedido de averiguação foi apresentado ao Ministério Público do Estado (MPE) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) quando, ainda em maio, houve dificuldades no atendimento de pacientes suspeitos do contágio. 

“A gente não sabe quantos leitos estão disponíveis. E é obrigação do Estado fornecer os leitos de UTI, porque quando o paciente já está com necessidade de atendimento, ele está com quadro grave, precisa ser atendido nas redes secundárias e terciárias”, afirmou. 

Pelo menos 20 municípios de Mato Grosso já adotaram lockdown ou barreiras sanitárias para conter a propagação do novo coronavírus. E segundo Neurilan, eles não estão na lista das cidades com UTIs disponíveis. 

À beira do caos 

O Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde em Mato Grosso (Cosems) aponta que apenas nove municípios têm estrutura para atendimento nas redes secundárias e terciárias. 

São eles: Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra, Lucas do Rio Verde, Juína e Barra do Garças.

Conforme o presidente do conselho, Marco Antônio Norberto, 90% já estão à beira do colapso no atendimento exclusivo da covid-19. 

“Se o nível de contágio continuar como está, daqui a pouco vai virar o caos. Não teremos onde colocar paciente, infelizmente”, disse. 

Marco Antônio afirmou que os prefeitos negociam com a SES a disponibilidade de leitos, mas as dificuldades esbarram na falta de equipamento e de profissionais de saúde preparados para lidar com a crise. 

Até tem equipamento, mas não tem quem os maneje. É um problema não só de Mato Grosso, é de todo o país. Além disso, sabemos que esse tipo de negociação demora”, comentou. 

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