Prefeitos desaprovam orientação para retorno das aulas no dia 4, diz AMM

AMM diz que a maioria dos municípios é contra decreto do governo e reclama de falta de condições para enfrentar eventual aumento de contágio

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Prefeitos em Mato Grosso afirmam não ser possível colocar em prática o decreto do Governo do Estado para a retomada das aulas daqui a uma semana e meia, com a mudança de regime de prevenção para isolamento vertical.  

A execução do decreto derrubaria as medidas de prevenção que vêm sendo tomadas desde o fim de março e que são vistas como a causa de contenção da covid-19 no interior. 

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, diz que a maioria dos prefeitos é contra, hoje, seguir a orientação do governo. E as dificuldades financeiras, associadas às deficiências na rede pública de saúde de saúde (SUS) complicam o quadro. 

“Nós entendemos que retomar as atividades econômicas é importante e estamos seguindo a orientação do governo neste sentido. Mas, as aulas só devem ser retomadas depois do dia 10. A data que o governo do Estado marcou para o retorno delas coincide com pico de casos da covid-19, como vinha sendo divulgado pelo Ministério da Saúde”, afirma. 

Fraga pontua que a rede municipal não está obrigada a retomar as aulas conjuntamente com a rede estadual. Mas, existem complicadores por causa do modo como a gestão de serviços nas duas redes é feita pelos municípios. 

Todas são vistas com aumento de chance do contágio pelo novo coronavírus. 

Transporte escolar 

“A principal dificuldade é transporte escolar. Se aulas das escolas estaduais retornarem no dia 4, os municípios terão que fazer o transporte dos alunos, da zona rural para as escolas”, explica. 

O gestor afirma que alunos da rede estadual depende hoje dos ônibus que as prefeituras usam para fazer o transporte escolar. Se uma rede funcionar e outra não a tendência e o aumento de gastos. 

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre) Transporte unificado de alunos da rede estadual à municipal é um dos entraves para calendários diferentes na retomada das aulas

“Sem contar que a maioria das pessoas na zona rural estão baixa medidas protetivas contra o coronavírus. Digamos que o cotidiano por lá está mais normal. Se as crianças vão para escola e podem voltar para casa trazendo o vírus, e as pessoas no grupo de riscos podem pegar o contágio”, afirma. 

Neurilan Fraga não soube informar quantos alunos no interior de Mato Grosso vivem em zona rural. Esse levantamento está sendo feito para balizar o argumento dos prefeitos com a Secretaria de Educação (Seduc). 

Idade dos profissionais 

O critério da idade também é motivo de preocupação entre os funcionários das escolas. Segundo Fraga, maioria de professores, merendeiras e pessoal da limpeza participam do grupo por idade acima dos 60 anos ou por ter histórico de doença crônica. 

Esse fator está sendo somado pelos prefeitos à dificuldade das escolas manterem o uso permanente das máscaras pelos estudantes, a maioria da rede fundamental, e a capacidade financeira do municípios em fornecer a item de proteção. 

“Tem prefeito que me disse que tem 1,5 mil alunos e vai fornecer 3 mil máscaras para eles. Semana seguinte, esse número terá que ser dobrado, porque a criança vai brincar, vai relaxar, vai estragar a máscara”, comenta. 

Rede precária 

Conforme o presidente da AMM, fora os sete municípios com hospitais regionais, um máximo de 15 têm condições e estão se estruturando para um eventual aumento do contágio da covid-19 em suas divisas. 

É um número baixo retirado dos 141 municípios existentes em Mato Grosso. Os exemplos são Jaciara (144 km de Cuiabá) e Alta Floresta (800 km de Cuiabá), que estão montando leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). 

“Ainda assim, é uma estrutura pequena, não dá para atender muita gente. A maioria seque tem condições financeiras para atender os pacientes da covid-19. Eles estão se concentrando em agilizar carros para fazer o transporte de pacientes graves para Cuiabá”, disse Neurilan Franga. 

(Foto: Secom/MT) Associação dos Municípios diz que apenas municípios com hospital regional tem estrutura adequado para socorrer pacientes locais.

Estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), publicado pelo LIVRE na semana passada, mostra desproporção na distribuição de leitos em Mato Grosso. 

Algumas cidades concentram até nove vezes o número de leitos recomendável para 10 mil habitantes enquanto outras não possuir nem estrutura para montar os leitos. 

Ele afirma a medidas de prevenção, como a suspensão do comércio e as barreiras sanitárias foram os principais fatores que controlaram a disseminação do vírus para o interior do Estado. 80% dos municípios chegaram a adotar essas medidas. 

Conforme boletim epidemiológico da SES, há casos confirmados ou suspeitos do coronavírus em 15 cidades. 

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