Prefeito em MT quer que população pague o próprio asfalto

Moradores que quiserem ver a porta de casa asfaltada terão que arcar com a areia, brita, emulsão e cimento para a obra

Foto: Reprodução/ Prefeitura de Cáceres

O prefeito de Cáceres (220 km de Cuiabá) Francis Maris Cruz apresentou na semana passada uma proposta – inusitada – que visa solucionar o problema da falta de asfalto no município. Atualmente, Cáceres tem apenas 260 quilômetros asfaltados contra 400 quilômetros de vias ainda não asfaltadas e, segundo o prefeito, não há dinheiro em caixa para viabilizar uma obra deste tipo.

Em entrevista ao Bom Dia MT, na Tv Centro América, o prefeito disse que adquiriu novos maquinários, usina de asfalto e está licitando um novo compactador. No entanto, os moradores que quiserem ver a porta de casa asfaltada terão que arcar com a areia, brita, emulsão e cimento para a obra.

[featured_paragraph]”Compramos todos os maquinários e agora, ao final do período das chuvas, iniciaremos o asfaltamento dessas ruas em parceria com a comunidade […] Os moradores vão pagar a parte do material, e a prefeitura vai entrar com a mão de obra, o diesel e o maquinário”, contou o prefeito. [/featured_paragraph]

A população de Cáceres, no entanto, não gostou muito da proposta. Moradora da cidade desde que nasceu e do bairro Cohab Nova há 35 anos, Daici Forgiarini disse nunca ter ouvido um prefeito sugerir algo do tipo antes. Um dos questionamentos dela e dos vizinhos é o destino dado ao dinheiro arrecadado pela prefeitura com IPTU e outros impostos.

[featured_paragraph] “Eu não sei de onde ele tirou essa ideia maravilhosa, a população paga os impostos e tem que receber os serviços que a Prefeitura tem que providenciar. Pelo menos eu pago o IPTU em dia, sempre aproveito o desconto e pago tudo de uma vez”, disse a professora aposentada. [/featured_paragraph]

De acordo com a prefeitura, a falta de legalização de muitas propriedades em Cáceres gerou uma cultura de não pagamento do IPTU, mesmo com a oferta de até 30% de desconto no valor do imposto. Segundo o prefeito, este é um dinheiro que falta no orçamento da prefeitura e acaba inviabilizando este tipo de obra.

Mesmo com as explicações, Daici acredita que a população não vai abraçar a ideia. “Não acredito que vão aderir a essa ideia, não. Eu jamais pagaria e olha que meu bairro está extremamente necessitado de uma reforma no asfalto”, finaliza.

Outro ponto que incomoda a população nesta proposta, é que os bairros não asfaltados são os de periferia, onde moram famílias que, em sua maioria, dependem até de auxílios do governo para se manter. Luciana Nunes é moradora do Vila Irene há 12 anos, um dos bairros com ruas sem asfalto e moradores de baixa renda.

[featured_paragraph]”Muito cara de pau esse prefeito em fazer uma proposta dessa para a comunidade. O bairro que eu moro, por exemplo, estou lá há 12 anos, vendo a situação daquele povo que não tem condições nem de comprar comida, vai comprar asfalto?”, questiona a moradora. [/featured_paragraph]

Luciana também ressalta que a população paga impostos justamente para serviços como asfalto e que não tem obrigação nenhuma de fazer parceria com a prefeitura.

[featured_paragraph] “Parceria a gente já faz quando paga os impostos em dia. Vai ter uma audiência pública lá no bairro (sobre esse assunto) e eu vou me posicionar contra, porque fazer isso aí é obrigação do prefeito. Essa é uma proposta indecente, que não vai atingir o objetivo”, finaliza. [/featured_paragraph]

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