“Precisamos de uma revolução no sistema tributário”, diz idealizador do imposto único

Para Marcos Cintra, a forma de tributação brasileira está baseada em um sistema de uma economia industrial que não existe mais

(Foto: Fernando Martin / Aprosoja)

Falho e necessitado de uma nova estrutura. É assim que o professor e economista Marcos Cintra define o atual sistema tributário brasileiro. Por isso, o especialista pontua que é simpatizante de uma revolução para trazer uma tributação de acordo com o momento vivido pelo país e sua realidade.

Cintra comenta que o sistema atual ainda é excessivamente burocrático, muito complicado e prejudica o pequeno produtor rural. “Precisamos fazer uma reforma profunda, porque essas reformas pontuais que estão sendo discutidas ao longo dos últimos anos acabam criando mais distorções do que melhoramentos, vira uma espécie de colcha de retalhos com modificações parciais sem uma visão do conjunto”, explica.

Nesse sentido, o economista idealizou o “imposto único”, que seria a substituição de algumas taxas para uma só. Dentre as taxas a serem extintas estariam o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF), o lucro real (CSLL), seguro de acidente do trabalho, entre outros.

O trabalhador deixaria de ter descontos em seu salário, por exemplo, e as empresas, por sua vez, seriam beneficiadas com a redução de seus custos administrativos e burocráticos. Porém, pontua Cintra, “a proposta do imposto único contraria o interesse de grupos poderosos que lucram com o caos tributário atual.”

Por isso, o economista, reforça mais uma vez que é necessário fazer uma reforma. “Precisamos parar e desenhar um sistema mais moderno, compatível com o mundo digital, com a evolução tecnológica e não tributos como os que temos no Brasil que foram criados no século passado, para uma economia industrial que não existe mais”, critica. “A questão é pensar grande e para frente”, conclui.

15º Circuito Aprosoja

A ideia foi apresentada por Cintra durante o 15º Circuito Aprosoja que foi encerrado nessa segunda-feira (13), em Cuiabá. O economista foi um dos palestrantes durante as rodas de conversa realizadas junto com produtores rurais de todo o Estado, desde o mês de agosto deste ano.

“O debate com eles foi no sentido de mostrar que devem acompanhar, participar e fazer valer as suas expectativas e desejos porque a reforma tributária pode abalar as estruturas deles”, contou Cintra.

Fernando Cadore, presidente da Aprosoja (Foto: Fernando Martin / Aprosoja)

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Fernando Cadore, inclusive pontuou que é preciso que esse acompanhamento mais próximo é importante para que se consiga uma política tributária que atenda ao setor produtivo e consequentemente a população.

“Fizemos um comparativo entre os países produtores do mundo e o que se vê é que nenhum país, em nenhum lugar do mundo, tributa a produção primária”, explicou.

“Contudo, temos a iminência de algumas propostas de emendas à constituição (PEC), principalmente a 45 que podem influenciar nessa produção primária”, disse demonstrando preocupação. A proposta apresentada pelo deputado federal Baleia Rossi (MDB) propõe alterações no Sistema Tributário Nacional.

Apesar disso, com relação ao momento atual Cadore sinalizou que espera, assim como os demais produtores, que neste ano as produções sejam melhores do que em 2020.

“Esperamos que este ano se consolide o plantio no prazo certo para que possamos reaver os prejuízos que tivemos na safra anterior e também para normalizar o abastecimento do país, para termos uma safra restabelecida e que o cidadão consiga se alimentar de uma maneira mais barata”, concluiu.

LEIA TAMBÉM

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anterior20% dos brasileiros não ficam mais de 30 minutos longe do celular
Próximo artigoInvestindo em infraestrutura