Por que eles querem que você faça exercícios físicos durante a quarentena?

Na internet, um verdadeiro batalhão de profissionais está dando aulas de graça e o motivo não é só o corpo

Foto: Freepik

Não foi o coronavírus que “inventou” as tele-aulas de atividade física para se fazer em casa, sem precisar ir a uma academia. Mas a propagação da nova doença e a orientação para que as pessoas fiquem em isolamento social fez esse “fenômeno” se alastrar pela internet.

Basta estar em uma rede social para já ter visto um profissional da área oferecendo seus serviços de graça. Mas, afinal, por que eles querem tanto que você faça exercícios físicos justamente agora?

Continuar atendendo os alunos que já possuíam antes da crise e aproveitar a oportunidade para conquistar novos, quando ela passar, é uma das respostas. Treinadora na CrossFit Z7 BarbellClub, a atleta Fernanda Dotto diz que entregar treinos por meios das redes sociais é uma espécie de “delivery” da profissão.

Mas tanto ela quanto outros profissionais ouvidos pelo LIVRE têm mais dois motivos para isso: continuar contribuindo com a saúde do seu corpo e, agora mais do que nunca, também da sua mente.

“É uma iniciativa para que a galera que já faz uma atividade mantenha o ritmo e, para quem não faz nada, que tenha um passa tempo nessa nova rotina”, diz Bruna Maíra Pinho, educadora física e treinadora na CrossFit O.M.A.

“Mas o maior propósito está sendo cuidar das pessoas mentalmente. No isolamento, elas ficam paradas e, com o ócio, começam a dar mais atenção às notícias. Daí, vêm as notícias fake… As pessoas começam a ficar mais desesperadas”, ela completa.

Mais imunidade no seu corpo

Do ponto de vista físico, fazer exercícios moderados durante o período de isolamento – além dos efeitos óbvios na melhora da saúde –, segundo a médica Ana Flávia von Eicheendorff, pode contribuir para te deixar menos suscetível ao coronavírus e outras doenças infecciosas.

Ela afirma que já existem estudos comprovando que se exercitar aumenta a produção das células de defesa no nosso corpo.

“São as células ‘natural killers’, como são chamadas. Elas são nosso pelotão de frente para combater infecção por vírus, bactérias e fungos”.

Mas Ana Flávia faz uma ressalva: isso só funciona no caso de atividades moderadas. Quando o exercício passa a ser classificado como intenso, o efeito pode ser exatamente o oposto.

Mais calma para sua mente

A médica também concorda com os educadores físicos no que diz respeito à saúde mental. Ana Flávia lembra que, além do corpo, o exercício físico mantém a mente ocupada naquela tarefa, o que ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse causado pelo confinamento.

Há ainda o “bônus” da liberação de endorfina no organismo. Conhecido como o hormônio do bem estar, ele é liberado após a prática de atividades físicas e proporciona a redução dos sintomas depressivos e de ansiedade, além de uma elevação da auto estima.

E se fazer exercício é bom para quem está recebendo as aulas, não seria diferente para quem as está produzindo. Instrutora de Yoga do Studio Movimento, Ellen Klauk diz que a ideia de transmitir suas aulas ao vivo pelo Instagram surgiu depois que ela mesma se viu “desesperada” devido ao período que já tinha passado em casa.

Ela deu início ao seu confinamento na última quarta-feira (18) e conta que, no sábado (21), sua mente já estava tomada pela vontade de sair e visitar pessoas próximas, como sua mãe. Foi quando a primeira aula ao vivo, pelo Instagram, foi ao ar.

“Minha vida era super agitada. Eu saía de casa às 6h e voltava às 9h da noite. Agora, ocupar esse espaço [de tempo] dentro de casa com as práticas de Yoga, fazer essas aulas on-line, colocar conteúdo no meu canal do Youtube, participar mais da vida do meu filho, são coisas que fazem parte da minha construção. Eu estou tirando isso como um aprendizado”.

Começar de vagar e com o que tem à mão

E como tudo no período de isolamento, propor a alguém que inicie uma atividade física (quase que) sem supervisão não é tarefa fácil. O principal desafio para os profissionais é mostrar, da maneira mais clara possível, como executar os movimentos.

Bruna e Ellen são enfáticas ao lembrar que é preciso “escutar o próprio corpo”.

“Se em um determinado momento a pessoa se sentiu muito ofegante, diminui a intensidade ou para. É preciso começar em doses pequenas: 10 minutos, 20 minutos e vai aumentando gradativamente. Se for fazer algum movimento e sentir algo incomodando, troca para o próximo que foi indicado”, diz Bruna.

Segundo a treinadora, o que o iniciante não pode perder de vista é que ele já levou uma vida sedentária até agora.

“A maioria dos profissionais já está dando dicas sobre os erros mais comuns dos movimentos e também as opções mais leves, caso a pessoa precise. Quem não pode agachar completo, por exemplo, vai ter um ângulo menor, mas que ela vai poder fazer”, explica.

 

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E Fernanda Dotto completa: como os profissionais estão todos disponíveis nas redes sociais, perguntar em caso de dúvida é o melhor caminho.

No caso específico do CrossFit, Fernanda destaca ainda que, embora o esporte seja conhecido pela intensidade e movimentos de levantamento de peso, sua base são os exercícios funcionais – “agachar, correr, pular, subir em cima de alguma coisa” – que usam o peso do próprio corpo.

Além disso, sempre é possível improvisar. “Todos os movimentos estão sendo adaptados nos nossos treinos. A gente está incentivando a utilização de objetos de dentro de casa mesmo: vassoura, garrafa, mochila com algum peso”, ela conta.

Oferecer alternativas e movimentos “mais simples” também é uma estratégia de Ellen. E ela ainda vê na prática isolada de exercício físico uma oportunidade para as pessoas olharem para si mesmas, sem se preocupar em como o outro executa.

“A pessoa vai no limite dela, até onde o corpo permite naquele momento. Cada corpo é um corpo. E sem se julgar. Nem sempre você vai conseguir fazer um movimento e está tudo certo. A gente só não pode desistir”.

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