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Por que as eleições majoritárias estão ficando no plano B dos partidos?

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Reinaldo Fernandes

Os partidos políticos mais reconhecidos em Mato Grosso têm deixado para segundo plano as campanhas para Senado, governo e Presidência. Sejam os grupos vinculados a pessoas destacadas em nível nacional ou os grupos mais tradicionais, todos têm declarado foco na eleição para deputados estadual e federal. 

As articulações para eleger filiados a governador e senador estão sendo deixadas para a reta final do prazo legal. MDB, PP, PL são exemplos de partidos em destaque no momento que já disseram que as escolhas para governo e Senado vão ficar para abril. 

Até lá, o calendário de filiação estará fechado e os nomes para Assembleia Legislativa ou Câmara Federal praticamente definidos. 

Reajuste do radar 

O cenário é uma mudança no comportamento dos partidos que pode ser explicada por questões que repercutiam até algumas semanas atrás. 

Os mais destacados são a chancela a federações partidárias pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a homologação do Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões. Ligado a essas mudanças e as alimentando está a importância que a eleição para deputado federal ganhou. 

“As regras eleitorais mudaram e os partidos políticos ainda não entenderam bem o que está acontecendo. Os partidos que costumavam fazer as frentes, frentinhas e os frentonas, agora não estão fazendo nada, porque uma canetada no nível federal pode mudar tudo”, comenta o cientista político João Edisom. 

Ele diz que a validade da federação limita a atuação dos diretórios estaduais e municipais, pois qualquer acordo fechado pode ser desfeito e alterado drasticamente, caso a direção nacional decida entrar federação. 

O maior impacto é no número de candidatos. Os partidos poderão inscrever até 25 candidatos a deputados. O limite continua válido os grupos federados. Ou seja, em tese, todo o quadro de candidatos precisaria ser reconfigurado para encaixar a união. 

O desejado deputado federal 

Para além das questões da federação, os partidos também têm lidado com a escolha para as vagas na Câmara Federal. O fator importante é financeiro. Os fundos públicos existentes no Brasil são vinculados à representação no Congresso – Câmara e Senado. 

Quanto mais cadeiras conquistadas maior é fatia que os partidos terão direito do bolo dinheiro vindos do Fundo de Manutenção dos Partidos e do Fundo Eleitoral. 

“É uma questão de sobrevivência para eles. Quanto maior o partido, mais chances de eleger mais gente. Mas, temos os partidos tradicionais que estão ficando menores, mas ainda têm espaço. O negócio é eleger candidato a federal, os outros cargos estão perdendo a importância, porque têm baixa influência no financiamento”, explica João Edisom. 

O Fundo Eleitoral homologado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), no fim de janeiro, permite distribuir R$ 4,9 bilhões da fonte primária. É a maior cifra que os partidos vão ter para gastar em campanhas. 

O número de cadeiras na Câmara Federal é calculado pelo coeficiente eleitoral de cada Estado. Aqueles que têm o número de votante mais alto, mais alto é número de cadeiras que podem ocupar. Um partido elege mais filiados se abocanhar mais votos.

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