Cidades

Por medo de grampo, Taques proíbe caminhoneiros grevistas de entrarem no Paiaguás

Foto de Lázaro Borges
Lázaro Borges

A conversa entre o deputado Wilson Santos e os caminhoneiros grevistas, paralisados na frente do Palácio Paiaguás, não durou mais que cinco minutos no começo da noite desta quinta-feira (24). Santos fez “sala” aos grevistas até que eles fossem recebidos pelo governador Pedro Taques, o que não ocorreu.

Depois de trocar amenidades com Eleus Amorim, representante dos transportadores, Wilson pediu licença e não voltou mais. Em seguida, o major Costa Silva, coordenador da segurança de Taques surgiu na sala com um aviso sobre o protocolo da reunião.

“O governador vai receber os senhores lá dentro, mas é preciso deixar os celulares na recepção, é um procedimento padrão que faz parte do protocolo de segurança”, sentenciou. Eleus Amorim, claramente revoltado, retrucou de bate-pronto: “Não vou deixar o celular, eu não sou bandido!”.

O major insistiu na necessidade de deixar os aparelhos e os transportadores deram marcha ré. Amorim e os outros cinco representantes dos grevistas desceram a rampa do Paiaguás indignados. “Eu fui recebido pelo presidente Michel Temer três vezes em Brasília, em nenhuma delas me tomaram o celular”, desabafou.

Presidente do Sindimat diz que nem o presidente Michel Temer foi tão cauteloso com os caminhoneiros (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O movimento de paralização começou há duas semanas com a iniciativa do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de Mato Grosso (Sindicam-MT) e se espalhou até chegar na Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNAT), levando o protesto para todo país. As empresas transportadoras também se contagiaram com a revolta e aderiram a mobilização.

“Nós não esperávamos ser recebidos, mas esperávamos uma atitude mais digna do Taques. O governador tem que rever essa posição de desconfiança, tem que confiar mais nas pessoas”, criticou novamente Amorim, que é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado de Mato Grosso (Sindimat).

Indignação

Já fora do Palácio, os líderes grevistas seriam recebidos por uma fila com cerca de 100 caminhoneiros, mobilizados a quatro dias contra a alta no preço dos combustíveis. Eles vieram do Distrito Industrial e percorreram as principais avenidas da cidade em protesto até chegar no centro do poder político do estado. Onde pretendiam refazer a Taques um pedido para permitir de isenção de ICMS na gasolina e no etanol.

Proibido dentro do palácio, o celular foi usado pelos grevistas para gravar vídeos anunciando a visita malfadada aos colegas. Eleus, fez um vídeo narrando os desaforos. “O governador não nos deixou entrar”, reclamava ele olhando fixamente para a câmera. Ao seu lado, caminhoneiros atentos se espremiam para aparecer na tela do aparelho, movendo a cabeça de cima a baixo, como se dissessem que está certa a indignação.

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