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Ponto crítico no país, MT busca deter surgimento de novos casos de hanseníase

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Livre

Mato Grosso registra as maiores taxas de detecção de hanseníase do país, segundo o Ministério da Saúde. Em 2016 foram detectados 2.658 casos novos. Mas houve redução em relação à 2015 em que 3.037 pessoas contraíram a doença. Os dados reforçam a presença de focos de infecção e transmissão recentes da doença. Os números relativos ao ano de 2017 ainda não foram concluídos e serão apresentados em 2018.

Para prevenir o surgimento de novos casos, a Secretaria de Estado de Saúde vai se dedicar à campanha Janeiro Roxo, mês internacional de luta contra a hanseníase. De acordo com a assessoria da SES-MT, o objetivo é promover o diagnóstico e o tratamento corretos, além de difundir informações e desfazer preconceitos que tanto prejudicam o diagnóstico preventivo da doença.

O tema da campanha nacional de 2018, escolhido pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) é “Todos contra a Hanseníase”. A equipe técnica da Superintendência de Atenção à Saúde e da Coordenadoria de Ações Programáticas Estratégicas (COAPRE), deverá criar uma agenda única com os municípios para divulgar as ações que ocorrerão em todo o Estado, para o enfrentamento da hanseníase.

Nas áreas técnicas que integram a Secretaria Adjunta de Políticas e Regionalização, serão intensificadas as discussões do tema nas ações programáticas e estratégicas da SES, em especial no Programa Saúde na Escola, Programa Bolsa Família, Programa Estadual Pró-Família, bem como no Telessaúde e a Escola de Saúde Pública.

Os dados divulgados pela assessoria de imprensa da SES-MT revelam que no período de 2009 a 2016, Mato Grosso registrou 1.334 casos em crianças menores de 15 anos, correspondendo a 6% do total de casos registrados.

Devido ao longo período de incubação, a hanseníase é menos frequente em menores de 15 anos de idade. Contudo, em áreas de maior prevalência e no caso de detecção da doença em focos domiciliares, a incidência nesta faixa etária é esperada.

Regiões com mais incidência

Quanto à distribuição da doença, existem regiões hiperendêmicas que apresentam elevadas taxas de detecção. No ano de 2016 observou-se que a maior taxa de detecção da hanseníase ocorreu na região Médio Araguaia, com taxa de detecção de 379,9/100.000 habitantes, seguida das regiões Vale do Peixoto, Alto Tapajós, Teles Pires, Norte, Vale do Arinos, Garças Araguaia e Baixo Araguaia.

“Se por um lado, os dados de elevada taxa de detecção indicam que ocorrem iniciativas importantes no campo da atenção à saúde para a elucidação diagnóstica, por outro lado, as regiões com menor detecção, considerando a alta endemicidade da hanseníase e fluxo migratório do Estado, sugerem a existência de fragilidades na Atenção Primária à Saúde quanto a estratégias ativas de detecção de novos casos”, informou a técnica do Programa Estadual de Controle da Hanseníase da SES/MT, Rejane de Fátima Conde Finotti.

A equipe técnica da SES/MT alerta as secretarias municipais de Saúde quanto ao diagnóstico preventivo de pacientes com hanseníase. A porta de entrada para o SUS é a rede básica de saúde municipal, por isso a importância de as prefeituras redobrarem a atenção para o momento do diagnóstico. O registro da doença em grande parte dos municípios tem ocorrido de forma tardia, ressaltou Finotti.

Pela série histórica de Mato Grosso analisada, (2009-2016), a taxa de grau de incapacidade física tipo dois avaliada no momento do diagnóstico foi classificada como regular, de acordo com os dados apresentados. Esse quadro demonstra que o diagnóstico da doença no Estado ainda é tardio.

Outro aspecto importante a considerar dentre os casos novos, é que ocorrem situações nos quais o exame neurológico do paciente não é realizado no momento oportuno, ou seja, no momento do diagnóstico, o que impossibilita a prevenção de outros danos, como o desenvolvimento de úlceras em regiões hipo e/ou anestésicas decorrentes de agressões físicas que passam despercebidas pelo paciente e as limitações funcionais que poderiam ser evitadas com o adequado acompanhamento fisioterápico do portador de hanseníase.

Quanto ao percentual de cura, no período analisado (2009-2016), considerou-se como regular (=75 a 89,9%) em todos os anos da série histórica. A proporção de abandono foi menor do que 10%, percentual considerado adequado, e registrou-se uma queda de 5% no ano de 2016 (1,1%) em relação a 2015 (6,1%).

(Com Assessoria)

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