Político típico dos anos 1990, Pedro Henry retornou às origens da medicina

Ex-deputado foi condenado no Mensalão, investigado na Máfia das Ambulâncias, é réu na Lava Jato, e voltou a ser citado na Operação Bereré

Quando voltou a aparecer figurando entre investigados de uma operação do Ministério Público em fevereiro deste ano, alguns podem ter tido dificuldade em lembrar do ex-deputado federal Pedro Henry. Quem acompanhou a política em meados dos anos 1990 e 2000 em Mato Grosso, contudo, provavelmente terá diversas recordações a rememorar sobre o “político aposentado” – boas e ruins.

Citado em três dos maiores escândalos políticos que o Brasil viu desde os anos 2000, o ex-deputado Pedro Henry voltou a ser lembrado em 2018. O ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) Teodoro Lopes, o Dóia, afirmou que Henry seria um dos responsáveis por articular o pagamento de propinas em contratos de empresas com o órgão.

A ação da Operação Lava Jato em que ele é réu ao lado de outros deputados e ex-deputados do Partido Progressista também voltou a andar. Na última semana, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Pedro Henry deve ser julgado na Justiça Federal de Brasília e o ex-deputado continua a responder pela suposta propina recebida na Câmara Federal.

Atualmente, ele atua apenas como médico. Político de retórica forte e debates acalorados, Pedro henry foi deputado entre 1996 e 2013, por quadro mandatos consecutivos, tendo ainda sido suplente em mais um. “Ele ia para a goela”, lembrou um ex-colega entrevistado, em off, pelo LIVRE.

Nascido em 1957 em Santo André (SP), Henry teve uma trajetória que saiu em poucos anos da atuação profissional como médico para uma atuação ligada aos meandros da política. O curso de medicina foi concluído em 1981 na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), com uma especialização como médico-legista, e já em 1982 Pedro Henry fazia parte do corpo clínico do Hospital São Luís e da Casa de Saúde Santa Lúcia, em Cáceres (MT).

Foi na cidade, à beira do Pantanal mato-grossense, que Henry viu surgir as primeiras oportunidades na política. Atuou como médico na prefeitura de Cáceres, na Secretaria de Estado de Segurança Pública e na Secretaria de Justiça, trabalhando na delegacia regional de Cáceres.

Pedro Henry na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara, em 2009. Foto: Ivaldo Cavalcante

Apenas em 1989, sete anos depois da chegada a Cáceres, Pedro Henry se filiou pela primeira vez a um partido político. Antes disso, a única experiência do médico havia acontecido na vice-presidência do Diretório Acadêmico Hércules Maymone, na UFMS.

O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi a primeira de cinco siglas pelas quais o ex-deputado teve passagem. Pedro Henry teve uma rápida passagem pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) a partir de 1991 e em 1993 foi para o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Por indicação do então governador do Estado Dante Martins de Oliveira, Pedro Henry ocupou a presidência da Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso (Sanemat) entre 1995 e 1996 – Dante também estava filiado ao PDT. Depois de ocupar o cargo, a carreira político do médico começou a ganhar força.

Henry ocupou a cadeira de deputado federal pela primeira vez em 1996, com o afastamento do titular do mandato, Antonio Joaquim. A partir daí, o ex-deputado começou a demonstrar suas habilidades políticas e articulou a participação em comissões e a destinação de emendas a Mato Grosso. Nos quatro mandatos seguintes (1999-2003,2003-2007, 2007-2011 e 2011-2013), Pedro Henry ocupou a cadeira como titular.

Uma pessoa próxima ao ex-deputado no Congresso lembra de “debates memoráveis” com a participação de Pedro Henry, sempre com um espírito “indomável”. O ex-deputado não podia ser considerado um bom inimigo, diz a fonte consultada pelo LIVRE. A mesma fonte diz considerar que poucos dos parlamentares mato-grossenses atuais têm o poder de articulação de Henry.

Durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já no Partido Progressista, o ex-deputado alcançou o ápice de sua proximidade com o centro do Poder em Brasília. Pedro Henry foi cogitado para assumir o Ministério dos Transportes ou o Ministério dos Esportes. Depois de deixar a liderança do PP na Câmara, contudo, Pedro Henry acabou sendo preterido.

Ex-deputado Pedro Henry em reunião com o ministro Gilmar Mendes, do STF. Foto: Gervásio Baptista/STF

O histórico de boas articulações políticas anda lado a lado com o histórico de denúncias. A primeira delas veio no caso da Máfia das Ambulâncias. No escândalo, também conhecido como Máfia das Sanguessugas, políticos e empresários ligados à empresa Planam teriam movimentado R$ 110 milhões entre 2001 e 2004 no fornecimento de ambulâncias a prefeituras de todo o país.

Tanto no escândalo das ambulâncias quanto no Mensalão, o ex-deputado foi absolvido pela Câmara dos Deputados. Na Justiça, contudo, Henry foi condenado a sete anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro pelos crimes investigados no Mensalão, acabando por renunciar ao cargo de deputado federal para evitar um novo processo no Conselho de Ética, em 2013.

No escândalo mais recente, da Operação Bereré, o Ministério Público Estadual (MPE) aponta que Pedro Henry seria o articulador do pagamento de propina em contratos do Detran-MT. As investigações apontam que valores desviados do órgão foram parar nas contas de, ao menos, sete deputados estaduais mato-grossenses.

Em sua vida política, Pedro Henry também foi secretário. No governo Silval Barbosa, o ex-deputado assumiu a Secretaria de Estado de Saúde (SES) em janeiro de 2011 e deixou a Pasta em fevereiro de 2012. O legado deixado por Henry como gestor foi a implantação das Organizações Sociais de Saúde (OSS) nos Hospitais Regionais. As OSS tiveram diversos problemas nos anos seguintes. O fracasso do modelo levou o governador Pedro Taques a retirar as organizações restantes nos três primeiros anos de governo.

Vida pós-política
Depois de atingir o ápice na política, Henry ficou um total de 10 meses preso pela condenação no Mensalão. Hoje, o ex-deputado trabalha em duas clínicas hiperbáricas de sua propriedade: uma em Cuiabá e outra em Maceió, capital do Estado do Alagoas.

Além disso, ele se dedica a cuidar da família – Henry tem dois filhos do casamento com Iva Santos e Silva – e não nega, dizem os amigos, uma boa conversa regada a boas bebidas e comidas.

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