|sábado, 21 abril 2018

Policial relata como ajudou jovem a desistir do Baleia Azul

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“Recebi uma mensagem de um rapaz, que morava aqui e atualmente mora em Goiás, dizendo que havia uma garota daqui que estava no jogo. E ele estava desesperado porque ela já estava nas fases finais. Entrei em contato com a jovem e passei três ou quatro horas enviando mensagens até que ela me deu um ‘oi’ seguido de um rostinho chorando e me pedindo ajuda”.

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A narrativa acima aconteceu no município de Vila Rica (1.270 km de Cuiabá) com o tenente-coronel da Polícia Militar, Joel Outo. Ele conta que, após muita conversa, conseguiu fazer a adolescente de 16 anos desistir de ir até o final no jogo Baleia Azul. Ela foi encontrada às 10h da última terça-feira (18) e encaminhada ao conselho tutelar para acompanhamento psicológico. 

O temor da jovem se devia às ameaças da “curadora”, uma pessoa que alicia vítimas e as obriga a concluir “desafios”. São 50 missões. As primeiras 49 incluem cortar-se, assistir filmes de terror e consumir álcool em grande quantidade. A última é o suicídio. 

“Tive que dizer a ela que a curadora não oferece risco, que estava protegida, que a sociedade a ama, que é uma boa garota. Antes disso, a curadora tinha o controle total. Ela mina toda a resistência da jovem por meio de convencimento de autodestruição e até mesmo ameaças”, conta o policial.

No caso atendido por Outo, a curadora se identificava como Alice, utilizava um telefone com DDD 31, de Minas Gerais, e administrava um grupo com 345 pessoas no WhatsApp.

O coronel é o comandante responsável pelo 10º Comando Regional da Polícia Militar de Vila Rica e coordena ações junto a adolescentes e pais para conscientização sobre os perigos do jogo e sobre como lidar com o tema do suicídio. Com as palestras, foram identificados aos menos outros dois jovens, de 12 e 15 anos, que haviam sido aliciados para o desafio.

O alerta da polícia surgiu dias atrás, quando uma adolescente de 16 anos foi encontrada morta em uma lagoa da cidade com marcas de autoflagelação. A partir da tragédia, a PM passou a realizar palestras na cidade e nos municípios e distritos vizinhos: Santa Terezinha, Luciara, Confresa, Porto Alegre do Norte, Canabrava do Norte, São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Novo Santo Antônio.

Os criminosos se utilizam de estratégias psicológicas para enfraquecer o adolescente. O coronel alerta pais para que monitorem o acesso dos filhos à internet e, em caso de suspeita, recolham os celulares e notebooks no período noturno, que é o principal horário utilizado pelos aliciadores.

Segundo a Polícia Judiciária Civil (PJC), as investigações para identificar os responsáveis pela promoção do jogo estão em andamento, mas estão em sigilo.

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