Policiais presos por facilitar entrada de celulares na PCE conseguem liberdade

Desembargadores reconheceram que Justiça Militar é quem deve cuidar do caso

Os três policiais militares presos na Operação Assepsia acusados de facilitar a entrada de celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE) conseguiram liberdade na quarta-feira (21).

A soltura foi determinada pelos desembargadores da Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Por maioria, foram revogadas as prisões dos PMs Cleber de Souza Ferreira, Ricardo de Souza Carvalhaes de Oliveira e Denizel Moreira dos Santos Júnior.

Na mesma decisão, os magistrados reconheceram, por unanimidade, a incompetência da 7ª Vara Criminal para processar a ação contra os militares. Segundo os desembargadores, a ação deve ser encaminhada para a Justiça Militar.

Apesar da decisão, o 2º tenente Cleber Ferreira deverá permanecer preso. Também nessa quarta-feira, ele teve novo mandado de prisão preventiva cumprido. Dessa vez, por outras duas operações: uma do Gaeco e outra da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A DHPP o investiga na terceira fase da Operação Mercenários, por crimes de homicídios praticados em atividades típicas de grupo de extermínios. Já o Gaeco o acusa de  organização criminosa armada, obstrução de justiça, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informação.

Operação Assepsia

A operação foi movida pela Polícia Civil no dia 18 de junho, depois que a Gerência de Combate ao Crime Organizado apurou a entrada de 86 aparelhos celulares na PCE. Os aparelhos tinham sido encontrados dentro de um freezer, no início daquele mês.

Para os delegados do caso, o envolvimento entre policiais, diretores da PCE e membros do Comando Vermelho não se tratou de um caso isolado.

Ao todo, sete pessoas foram denunciadas. Elas são acusadas de integrar, financiar e promover organização criminosa, além de introdução de celulares em presídios. Cinco delas também vão responder por corrupção ativa e dois por corrupção passiva. Todos se tornaram réus na Justiça no dia 31 de julho.

Dessa operação, portanto, seguem presos o ex-diretor da PCE, Revétrio Francisco da Costa, o ex-vice-diretor Reginaldo Alves dos Santos, e o PM Cleber Ferreira. Também dois detentos, membros do Comando Vermelho.